José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e uma figura central na política brasileira, está se preparando para lançar sua candidatura a deputado federal nas eleições de 2026. A informação foi confirmada pelo jornalista Marcelo Godoy, em sua coluna no Estado de S. Paulo. O movimento conta com o apoio de fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), advogados ligados ao partido e integrantes da chamada "geração de 68".
Para marcar o retorno à sua trajetória política, aliados de Dirceu organizaram duas grandes festas em sua homenagem: uma em Brasília, no dia 11 de março, e outra em São Paulo, no dia 15, para celebrar seu aniversário de 79 anos. O objetivo é consolidar sua presença no cenário político e fortalecer sua base de apoio. Em São Paulo, o evento ocorrerá no Espaço Elza Soares, um galpão que frequentemente sedia eventos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com expectativa de reunir até 500 pessoas. Entre os organizadores estão os ex-deputados Lucas Buzato e Adriano Diogo, além do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o ex-presidente do PT José Genoino, ambos convidados para a celebração.
Essa articulação ocorre em um momento estratégico para o PT, que busca recuperar sua influência em São Paulo, após um desempenho modesto nas últimas eleições municipais, quando elegeu apenas quatro prefeitos. Seus apoiadores acreditam que Dirceu pode reativar a militância histórica do partido e contribuir para um reposicionamento da legenda no estado.
A aproximação de Dirceu com a política já vinha se desenhando desde o ano passado. Em sua última festa de aniversário, realizada em Brasília, estiveram presentes figuras importantes como ministros do governo Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e Hugo Motta (Republicanos-PB), atual líder da Casa.
Apesar do entusiasmo de seus aliados, há um esforço para manter discrição sobre o assunto, evitando que as festas sejam interpretadas como campanha antecipada. No entanto, o lançamento da pré-candidatura de Ronaldo Caiado (União Brasil) à presidência tem levado o grupo de Dirceu a minimizar essas preocupações.
A possível candidatura de Dirceu em 2026 reabre o debate sobre a polarização política no Brasil. Após ser cassado em 2005, preso no âmbito do mensalão e condenado pela Operação Lava Jato — condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) —, Dirceu continua a ser uma figura controversa, simbolizando para seus críticos um passado de polêmicas, mas para seus apoiadores, a resistência e a retomada de um projeto político relevante.