Uma articulação silenciosa para aprovar a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro foi desfeita nos últimos dias após uma reviravolta nos bastidores do Congresso Nacional. A informação foi revelada pela jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, e dá conta de um acordo costurado por lideranças do Centrão, especialmente o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), com apoio da ala bolsonarista da Câmara.
Segundo Sadi, havia um acordo para que a proposta fosse votada no início de agosto. O acerto foi construído “na calada da noite” entre parlamentares do centrão e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ideia era votar a proposta de anistia, que beneficiaria bolsonaristas condenados ou processados pelos ataques às instituições democráticas, incluindo as invasões às sedes dos Três Poderes. O principal beneficiado pela anistia seria o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, o cenário mudou bruscamente com o agravamento da crise diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos. As sanções impostas pelo governo Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes (STF) e a imposição de tarifas comerciais contra o Brasil elevaram a tensão política e colocaram o Supremo Tribunal Federal no centro do debate. Paralelamente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), teria pressionado pelas sanções que acabram atingindo o setor de armas e o agronegócio do Brasil - principais aliados do bolsonarismo.
“O que a turma do Hugo Motta está me dizendo agora é que não há mais clima para votar a anistia”, relatou Andréia Sadi. “Tinha ambiente no final de junho. Havia um acordo para votar no começo de agosto, mas isso mudou com os últimos acontecimentos. Teve tarifaço, teve sanção a Moraes, e isso virou o jogo.”