“Ele parou o carro, me olhou, abaixou as calças e queria ter relação. Não tinha como eu pedir socorro!”, diz vítima de vereador

Ele foi acusado por sete mulheres de cometer abusos sexuais, inclusive dentro da Câmara

O vereador Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cássio Fala Pira, do PL de Piracicaba, no interior de São Paulo, foi preso na manhã desta quinta-feira (9) após sete mulheres o denunciarem por crimes sexuais.

O gabinete de Fala Pira, na Câmara Municipal de Piracicaba, e um escritório para atendimento dos eleitores foram alvos de busca e apreensão. O vereador foi preso na casa onde mora e levado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Na última segunda-feira (6), em pronunciamento no plenário da Câmara, Fala Pira negou as acusações.

"As pessoas falam o que querem, julgam como querem. Só que eu sou um vereador nesta cidade. Sou um Legislativo [sic] nesta cidade, Desde que prove o contraditório, eu tenho direito à defesa. Quero que diga se eu já desrespeitei alguém aqui nesta Casa, algum servidor ou servidora aqui. Então, espera aí, eu com 50 anos vou pegar mulher à força? Será que eu sou tão idiota, tão burro desse jeito?", indagou.

Em conversa com a afiliada da TV Globo na região, uma das autoras da denúncia, de 36 anos, diz que o vereador marcou um encontro dizendo que queria entregar uma cesta básica.

"Foi em 2024. Era umas 20h. Ele falou: 'tô aqui fora, você sai pegar as coisas que eu comprei pra você'. E aí eu fui, peguei e entrei no carro. Entrei no carro e ele falou que precisava conversar comigo sobre trabalho também. [...] Ele levou eu pra uma estrada de terra. Quando ele parou o carro, ele ficou me olhando, pegou na minha mão, aí ele abaixou as calças. Aí, queria ter relação comigo, falei que não porque eu não tava tomando remédio, eu ia ficar grávida. Não tinha como eu pedir socorro porque era um lugar escuro e não tinha ninguém", disse.

Ela relatou ainda que um segundo abuso teria acontecido dentro da Câmara de Piracicaba. 

"O segundo episódio foi no meio de 2025. Ele me levou lá pra aquele gabinete onde tem a reunião dos vereadores lá. E lá ele abaixou a calça de novo e começou a fazer aquelas coisas", disse a vítima. "Ele é um abusador. Eu sei o que eu passei. Eu fiquei dez dias chorando na minha casa, dez dias. Não foi um dia, foram dez. Eu não saía do quarto", emendou a mulher.