Por Leonardo Sakamoto, jornalista, no facebook
Esqueça Silvério dos Reis, Domingos Calabar, Cabo Anselmo. Dada a obstinação em trair os interesses nacionais gerando benefícios a uma nação estrangeira e à amplitude do impacto de suas ações, Eduardo Bolsonaro já passou para a História como o Judas do Brasil.
O tarifaço decretado por Trump, nesta quarta (30), foi menor do que o esperado, mas ainda assim nefasto. Como explicar a famílias de pescadores do litoral de Santa Catarina e aos trabalhadores da produção de frutas do Vale do Rio São Francisco que eles perderam sua renda porque o filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro incitou o governo dos Estados Unidos a taxar em 50% as compras do Brasil para pressionar o STF a parar de julgar seu pai, que tentou um golpe, e o Congresso a aprovar uma anistia?
Eduardo vende a mentira de que tudo isso é em nome do país (quando, de fato, trabalha pelos EUA), das famílias (cinicamente agindo apenas em nome da sua) e da liberdade (não da expressão de um povo, mas de seu pai, que deve amargar a prisão em breve). Afirma que defende a democracia, mas, na verdade, subverte-a, tentando subjugar a necessidade de uma sociedade à impunidade de uma única pessoa.
Neste momento, a cassação de Eduardo Bolsonaro não é uma questão partidária, mas de soberania. Um parlamentar que atua como agente de interesses estrangeiros, sabotando a economia do próprio país, não merece um mandato, mas a responsabilização por seus crimes. A maioria dos deputados, contudo, parece que quer deixar as coisas rolarem. No máximo, permitir que ele perca o mandato por faltas, o que seria um ultraje.
Na política brasileira, perdoa-se muita coisa. Para ser sincero, e infelizmente, quase tudo. O eleitor esquece escândalos sexuais, corrupção, rachadinhas, aprovação de medidas impopulares, deputado que diz para uma deputada que ela é tão feia que não merece ser estuprada. Mas não perdoa um traidor.
Em uma postagem em sua conta no Instagram em 30 de novembro de 2021, ainda durante o mandato de seu pai, o senador Flávio Bolsonaro foi além: “Tem um ditado na política que diz: ‘a política pode até perdoar traição, mas não perdoa o traidor’. E você, também concorda?” E você, também, concorda?