O Supremo Tribunal Federal (STF) elegeu nesta quarta-feira (13) o ministro Edson Fachin como novo presidente da Corte. Alexandre de Moraes foi escolhido como vice-presidente. A posse da nova gestão está marcada para 29 de setembro, e ambos comandarão o tribunal pelos próximos dois anos.
A escolha seguiu a tradição de antiguidade do STF, segundo a qual o cargo é ocupado pelo ministro mais antigo que ainda não exerceu a presidência. A votação é simbólica, secreta e realizada por sistema eletrônico.
Completando dez anos no Supremo em julho, Fachin deve adotar uma postura mais discreta e conciliadora, contrastando com o perfil midiático de seu antecessor, Luís Roberto Barroso. A expectativa é que sua gestão traga maior previsibilidade à pauta de julgamentos do plenário.
Durante a cerimônia, Barroso comentou, em tom de brincadeira, sobre o fim de seu mandato: “É duro, mas é bom.” Fachin respondeu com uma metáfora esportiva: “O bastão chegou aqui e recebo com o sentido de missão e com a consciência de um dever a cumprir.”
A eleição teve dez votos, como de costume, já que os candidatos à presidência não votam em si mesmos.
Natural de Rondinha (RS), Edson Fachin, 67 anos, é formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com mestrado e doutorado pela PUC-SP e pós-doutorado no Canadá. Indicado ao STF por Dilma Rousseff em 2015, já analisou mais de 53 mil processos, incluindo casos da Lava Jato, herdados após a morte do ministro Teori Zavascki.
Recentemente, relatou a chamada ADPF das Favelas, que estabeleceu diretrizes para operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro — uma decisão construída com base no consenso dos ministros, apontando para a tendência de sua gestão em buscar acordos em temas complexos.
Como vice, Alexandre de Moraes desempenhará papel estratégico na preparação para sua futura presidência, prevista para 2027, além de atuar ao lado de Fachin na condução da Corte.