É o fim das oficinas de bairro: montadoras fecham sistemas e tiram o direito do consumidor escolher a oficina

Restrição de dados técnicos encarece reparos, reduz opções para motoristas e ameaça sobrevivência de pequenas oficinas no país.

Com o avanço dos carros conectados e automatizados, as oficinas independentes enfrentam um novo desafio: o bloqueio de acesso às informações técnicas necessárias para diagnosticar e reparar veículos modernos. As montadoras têm restringido esses dados a softwares próprios, o que impede mecânicos de “bairros” de realizarem consertos básicos sem depender de concessionárias — onde o simples diagnóstico pode custar até R$ 1.500. Com informações do UOL.

O problema impulsionou o movimento Right to Repair (Direito de Reparar), que defende o acesso livre a informações técnicas para que o proprietário escolha onde consertar seu carro. O tema, já regulamentado em parte dos Estados Unidos e da Europa, começa a ser debatido no Brasil, com o Sindirepa articulando um projeto de lei desde 2023.

As montadoras, representadas pela Anfavea, admitem o impacto sobre as oficinas, mas alegam que a liberação total dos dados pode comprometer a segurança e a proteção de informações do veículo. Hoje, algumas cobram pelo acesso temporário aos sistemas, enquanto outras impõem altos custos e barreiras técnicas.

Mais de 80% dos reparos automotivos no país são realizados fora das concessionárias. Para o setor, restringir o acesso aos códigos e softwares das montadoras ameaça não apenas as pequenas oficinas, mas também o direito do consumidor de escolher onde e quanto pagar por um serviço essencial.