Amigos, festa, muita comida e muita bebida. Assim foi o adeus ao ano de 2025, e um toque de esperança ao ano de 2026 para muitas pessoas, inclusive, para este que vos escreve. Como sempre, observei que realmente precisamos de muito pouco para ser feliz. Aliás, qual a métrica que usamos para delimitar o que é pouco ou muito na tentativa de traçar um conceito de felicidade? Pois bem, o governo Norte-americano, em menos de cinco dias, tratou de mostrar ao mundo sua medida de “felicidade”. Quanto mais se tem, mais se quer.
Você não precisa conhecer ou até gostar de um certo senhor chamado Nicolás Maduro Moros. Você não precisa teorizar se seu governo é de esquerda, ou se sua postura passou longe de pensar no bem estar social. O que importa é uma outra questão bem mais profunda e absurda. Afinal, como quase tudo na vida, as coisas realmente importantes só são vistas com um olhar muito atento e cauteloso. Não irei debater questões ideológicas. Minha intenção é outra. Sempre foi outra. Cabe ao meu leitor perceber. Deixarei que percebam, então.
Sábado, 03 de Janeiro de 2026, a operação Absolute Resolve começou com o objetivo de capturar Maduro. Segundo informações, a CIA mantinha uma equipe desde agosto em observação, colhendo informações sobre Nicolás. Do planejamento à execução do plano, a operação envolveu mais de 150 aeronaves decolando de 20 bases no Hemisfério Ocidental. “Tínhamos um caça para cada situação possível “, disse Trump. Moral da história, Maduro foi capturado. Trump jogou um balde de água fria na situação e oposição venezuelana ao declarar que Washington pretende assumir interinamente o controle do país até a realização de uma transição, não informando nem como nem quando isso ocorreria. Sabemos bem que a democracia e a paz americana só se manifesta com indigestos interesses. E sendo a Venezuela detentora da maior reserva de petróleo no mundo, sabemos ou deveríamos saber como os EUA estão “preocupados” com as questões governamentais e sociais do referido país.
Lembram do slogan de campanha do Donald Trump? “Make American Great Again”. Pois bem, em tradução livre: Torne a América Grande de novo. O slogan entrega muito bem quem no fundo é Trump, pois a partir disso podemos entender como o mesmo age dentro daquilo que é “normal” em qualquer cidadão norte-americano, pensar nele mesmo e se sobrar tempo, continuar pensando nele.
Essa ideia de grandeza é o alimento fundamental de seu fetiche pelo poder. Como acadêmico de Psicologia, e que pretende seguir atuando pelo viés psicanalítico, é prudente observar como Trump possui um exagerado narcisismo. Suas atitudes revelam mais uma persona, que uma pessoa qualquer. É como se o mesmo mostrasse pelo exagero e por falas sentenciosas que é um super herói, além do que um ser humano passível de erros, e que precisa se defrontar com a verdade. Para Donald, ele em si é a verdade. Pensar em tudo e querer estar no controle de tudo para evitar falhas, perdas, danos e diferenças é típico do que a Psicanálise chama de neurótico obsessivo, e o Trump faz questão de caminhar para um alinhamento que deixa claro que ele sempre está sendo observado. Trump recorre ao teatral e transforma tudo numa tragédia. Sua liderança é imposta pela dominância. Ele negocia pelo temor, e pelo temor deixa o mundo apavorado com frases do tipo: O que ele vai fazer agora? Como Trump vai se manifestar?. Assim, ele reforça indiscutivelmente sua presença e sua marca. Remontando ao infante, Trump foi uma criança competitiva, exagerada em sua extroversão sedenta por recompensas. O mundo é grande, pois é o mundo criado por Trump que não cessa. Ele é a lei, e essa lei não pode ser questionada. Se a captura de Maduro se desse em razão das acusações de narcotráfico, Trump em sua figura messiânica não teria perdoado Juan Orlando Hernandez, ex-presidente de Honduras preso nos EUA por tráfico de drogas. Os EUA tem sede de poder, instrumentalizado pela busca de petróleo, na mesma proporção que o Trump é sedento pela visibilidade de sua falseada glória, manifestada pelo desejo mimético de ser um Deus.