Do Rei do Baião ao rei das paradas: como Luiz Gonzaga inspirou Michael Sullivan

O pernambucano contou que tinha apenas oito anos quando ouviu o Rei do Baião cantar no cinema Cacareco, em Timbaúba (PE)

Em entrevista concedida a Danilo Gentili, no programa Agora é Tarde, exibido em 27 de julho de 2012, o cantor, compositor e produtor musical Michael Sullivan relembrou como Luiz Gonzaga marcou sua trajetória desde a infância.

O pernambucano contou que tinha apenas oito anos quando ouviu o Rei do Baião cantar no cinema Cacareco, em Timbaúba (PE). Aquele momento, segundo ele, foi decisivo para que descobrisse sua vocação musical. Anos depois, aos 15 anos, venceu um concurso de calouros e recebeu o prêmio das mãos do próprio Gonzaga, gesto que ele descreve como “o maior reconhecimento que um jovem artista poderia sonhar”.

Mais tarde, já consolidado, dividiu o palco com Luiz Gonzaga em apresentações pelo Nordeste e, atuando como produtor e gerente artístico de gravadora, participou de uma de suas produções — experiência que, segundo Sullivan, “foi como fechar um ciclo de aprendizado com o mestre que abriu meus caminhos”.

Histórias assim revelam como a grandeza de Luiz Gonzaga inspirou gerações de artistas — e como Sullivan, com seu talento, seguiu espalhando música pelo Brasil.

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Da revelação em Recife ao sucesso mundial

Michael Sullivan, nome artístico de Ivanilton de Souza Lima, nasceu em Recife, em 9 de março de 1950. Começou a cantar na noite recifense aos 14 anos, destacando-se em programas de calouros e conquistando um contrato com a TV Jornal do Commercio, onde se firmou como revelação pernambucana.

Aos 17 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde conheceu Hyldon, Cassiano e Tim Maia, ícones da soul music brasileira que influenciaram sua formação. Participou dos grupos Os Nucleares, Os Selvagens e Renato e Seus Blue Caps, com os quais vendeu mais de um milhão de discos e ganhou seis discos de ouro.

Seu primeiro grande sucesso solo, “My Life”, foi trilha da novela O Casarão (TV Globo) e rendeu-lhe um Disco de Diamante.

A consagração com Paulo Massadas

A partir de 1979, Sullivan iniciou uma parceria histórica com Paulo Massadas, formando uma das duplas de compositores mais bem-sucedidas da música brasileira. Juntos, criaram sucessos como “Um Dia de Domingo” (Gal Costa), “Deslizes” (Fagner), “Me Dê Motivo” (Tim Maia) e “Whisky a Go Go” (Roupa Nova).

Embora criticados por parte da imprensa por seu forte apelo popular, Sullivan & Massadas dominaram as paradas nos anos 1980 e início dos 1990. A dupla se desfez em 1994, após mais de 15 anos de êxitos.

Carreira solo e legado

Após o fim da parceria, Sullivan seguiu carreira solo, lançando álbuns como Caminhos do Coração (1998), Duetos (2003) e Sullivan Ao Vivo – Na Linha do Tempo (2010), nos quais reuniu grandes nomes da MPB, como Carlinhos Brown, Martinho da Vila e Fafá de Belém.

Como produtor, trabalhou com artistas como Alcione, Sandra de Sá, Roupa Nova, Xuxa e Fagner, além de criar o grupo Trem da Alegria, que marcou a música infantil dos anos 1980. Ao todo, compôs mais de 350 canções infantis e temas para cerca de 30 telenovelas.

Reconhecido pelo Latin Songwriters Hall of Fame, Michael Sullivan tornou-se um dos compositores mais gravados da história da música brasileira — um artista que, inspirado por Luiz Gonzaga, fez da canção popular o seu caminho e o seu legado.