Do gramado para as urnas: Edmundo, Luís Fabiano, Luxemburgo e outros nomes do futebol disputam as eleições de 2026

Futebol e política se encontram nas eleições de 2026

Ídolos do futebol brasileiro trocaram, ao menos durante a campanha eleitoral de 2026, os estádios pelas urnas. Ex-jogadores, dirigentes e até um dos técnicos mais vitoriosos do país aparecem entre os candidatos que tentam transformar a popularidade conquistada no esporte em votos. Com informações do Metrópoles. 

Entre os nomes estão Edmundo, Luís Fabiano, Washington “Coração Valente”, Marcelinho Carioca, Vanderlei Luxemburgo, Alexandre Kalil, Marcos Braz e Alexandre Finazzi. Eles disputam cargos que vão de deputado distrital e federal até governador e senador.

A lista reúne personagens ligados a alguns dos maiores clubes brasileiros, como Vasco, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Palmeiras e Atlético Mineiro.

Edmundo quer defender o Vasco em Brasília

No Rio de Janeiro, Edmundo, o “Animal”, é candidato a deputado federal pelo PSDB. Ídolo do Vasco e um dos atacantes mais conhecidos do futebol brasileiro nos anos 1990, ele também teve passagens por Palmeiras e Flamengo.

Edmundo foi campeão brasileiro pelo Palmeiras em 1993 e 1994 e comandou o Vasco na conquista do Brasileirão de 1997, quando terminou a competição como artilheiro.

No Flamengo, em 1995, integrou ao lado de Romário e Sávio o badalado “Ataque dos Sonhos”.

Na campanha eleitoral de 2026, Edmundo afirma que, caso seja eleito deputado federal, pretende atuar em Brasília “em defesa do Vasco da Gama”.

Luís Fabiano é candidato a deputado federal em São Paulo

Outro nome conhecido dos torcedores é Luís Fabiano, ex-atacante do São Paulo e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010.

O “Fabuloso” disputa uma vaga de deputado federal pelo MDB de São Paulo. Segundo o ex-jogador, suas principais bandeiras são esporte, saúde preventiva e inclusão digital para jovens.

A candidatura também chamou atenção por uma situação curiosa. Um campo do cadastro eleitoral chegou a apresentar a orientação sexual de Luís Fabiano como “assexual”. O MDB informou que houve erro no preenchimento do registro e posteriormente realizou a correção.

Washington “Coração Valente” também entra na política

Washington “Coração Valente” também tenta transformar a fama conquistada nos gramados em capital eleitoral.

O ex-atacante brilhou por clubes como Athletico Paranaense, Fluminense e São Paulo. Em 2004, marcou 34 gols pelo Athletico no Campeonato Brasileiro, então recorde de gols em uma edição da competição. Em 2008, voltou a terminar o Brasileirão como artilheiro, desta vez pelo Fluminense.

Depois de encerrar a carreira, Washington foi secretário nacional de Esporte e exerceu mandato como deputado federal suplente pelo Rio Grande do Sul.

Na campanha, afirma que pretende “dar oportunidades e transformar a vida de jovens por meio do esporte”.

Marcelinho Carioca: “Se falta, eu cobro!”

No Distrito Federal, outro ídolo do futebol brasileiro está nas urnas. Marcelinho Carioca, o “Pé de Anjo”, disputa uma vaga de deputado distrital pelo Republicanos.

Um dos maiores ídolos da história do Corinthians, Marcelinho aproveitou uma de suas principais características como jogador — a cobrança de faltas — para criar o lema eleitoral:

“Se falta, eu cobro!”

Segundo o ex-jogador, sua candidatura pretende priorizar incentivo ao esporte, ações sociais e fiscalização.

Finazzi tenta vaga na Câmara dos Deputados

Em São Paulo, Alexandre Finazzi é candidato a deputado federal pelo MDB.

Ex-atacante com passagens por Corinthians, Ponte Preta, Athletico Paranaense e Fortaleza, Finazzi também trabalhou com gestão esportiva e integrou comissões técnicas antes de entrar na disputa eleitoral.

Alexandre Kalil tenta chegar ao governo de Minas Gerais

A relação entre futebol e política também aparece na disputa por governos estaduais.

Ex-presidente do Atlético Mineiro e ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil concorre ao governo de Minas Gerais pelo PDT.

Kalil ganhou projeção nacional no futebol durante sua passagem pela presidência do Atlético. Em sua gestão, o clube conquistou pela primeira vez a Copa Libertadores, em 2013, com uma equipe que tinha Ronaldinho Gaúcho como principal estrela.

Depois de deixar o futebol, Kalil foi eleito prefeito de Belo Horizonte. Agora, busca chegar ao Palácio Tiradentes.

Marcos Braz tenta continuar na Câmara

No Rio de Janeiro, Marcos Braz, ex-vice-presidente de futebol do Flamengo, disputa uma vaga de deputado federal pelo PSDB. Ele assumiu mandato na Câmara dos Deputados em maio de 2026.

Braz ganhou projeção nacional principalmente pela participação na montagem dos elencos do Flamengo campeões da Libertadores de 2019 e 2022.

O ex-dirigente também protagonizou uma polêmica fora dos gramados. Em 2023, foi acusado de morder a virilha de um torcedor durante uma briga em um shopping no Rio de Janeiro.

Vanderlei Luxemburgo quer uma vaga no Senado

A lista não poderia terminar sem um dos treinadores mais conhecidos do futebol brasileiro.

Vanderlei Luxemburgo, o “Pofexô”, é candidato ao Senado pelo Podemos no Tocantins, estado onde também mantém atividades empresariais.

Pentacampeão brasileiro como treinador, Luxemburgo comandou gigantes como Palmeiras, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Flamengo e Atlético Mineiro, além da Seleção Brasileira e do Real Madrid.

Luxemburgo já havia tentado entrar na disputa pelo Senado em 2022, quando estava filiado ao PSB, mas sua pré-candidatura não avançou.

Em 2026, sua candidatura foi oficializada pelo Podemos. Ao anunciar a entrada na corrida eleitoral, Luxemburgo agradeceu ao partido pela confiança e afirmou assumir a missão com “profundo senso de responsabilidade”.

Futebol e política se encontram nas eleições de 2026

A presença de tantos personagens do futebol nas eleições de 2026 mostra uma estratégia conhecida da política brasileira: transformar reconhecimento público em capital eleitoral.

A diferença é que, desta vez, a escalação é grande.

Tem Animal, Fabuloso, Coração Valente, Pé de Anjo e Pofexô. Tem campeão brasileiro, campeão da Libertadores, jogador de Copa do Mundo, dirigente e treinador.

Depois de enfrentarem a pressão das arquibancadas, todos terão agora um adversário diferente: as urnas.