Em entrevista concedida na última quarta-feira (30) ao canal Claudio Dantas, no YouTube, o empresário e ex-comentarista da Jovem Pan, Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo, fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem classificou como "incompetente". As declarações ocorrem em meio às investigações sobre sua participação na tentativa de golpe durante o governo Bolsonaro, pelas quais pode se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Bolsonaro fez péssimos acordos e conduziu o país à situação em que estamos hoje”, afirmou Figueiredo. Segundo ele, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, teria se distanciado das decisões do pai e se deslocado aos Estados Unidos “a contragosto” de Bolsonaro, por discordar de sua condução política.
As críticas foram feitas durante uma discussão sobre a imposição de tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, durante o governo Trump. Figueiredo afirmou que a articulação da medida não teve participação direta de Jair Bolsonaro, mas sim de Eduardo Bolsonaro, que teria agido de forma independente. “O tom, num certo sentido rebelde, do deputado Eduardo Bolsonaro, por ele entender que este é o melhor caminho para defender o pai — uma visão a qual eu compartilho integralmente”, disse.
Paulo Figueiredo é apontado como um dos articuladores da ofensiva internacional bolsonarista, e deve se tornar réu no STF por envolvimento em ações golpistas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já apresentou denúncia contra ele, acusando-o de vazar documentos sigilosos para pressionar integrantes das Forças Armadas a aderirem ao plano golpista. A expectativa é que a denúncia seja analisada ainda neste ano pela Primeira Turma do Supremo.
O próprio Eduardo Bolsonaro reconheceu, em entrevista em maio, o papel de Figueiredo nas articulações políticas internacionais. “Eu abro a porta, eu sou o coração, mas você é o cérebro”, disse o deputado, ao se referir ao empresário como peça-chave nos bastidores da operação.
Eduardo também responde a inquérito no STF por suposta coação à Corte e por atuar contra interesses nacionais no exterior. Já Paulo Figueiredo, embora denunciado por outros atos, ainda não foi incluído formalmente nesse inquérito. A Defensoria Pública da União (DPU), até o momento, também não foi acionada para atuar em sua defesa neste caso específico.