Ativistas brasileiros que participavam da flotilha Global Sumud, com destino à Faixa de Gaza, foram deportados por Israel nesta terça-feira (7), após a embarcação ser interceptada por forças israelenses. A informação foi inicialmente divulgada pelo governo da Jordânia, que acolheu os deportados, e posteriormente confirmada pelo Itamaraty. Ao menos 15 brasileiros estavam a bordo da missão.
A flotilha, organizada por movimentos internacionais, tinha como objetivo romper simbolicamente o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, utilizando embarcações que partiram de portos do Mediterrâneo. Entre os participantes estava a ativista climática sueca Greta Thunberg.
O primeiro brasileiro a ser deportado foi o professor e educador popular Nicolas Calabrese, que retornou ao Brasil na noite de segunda-feira (6), após passar pela Turquia. Nascido na Argentina e também cidadão italiano, Calabrese vive no Brasil há mais de dez anos, onde atua na Rede Emancipa e milita pelo PSOL, com foco na educação popular.
Segundo comunicado da organização Global Sumud Flotilla, o processo de deportação foi conduzido de forma opaca, sem que as equipes jurídicas ou as delegações tivessem acesso à lista de deportados ou aos seus destinos.
Em relato feito no aeroporto, Calabrese denunciou ter enfrentado violência psicológica, restrições ao acesso à água potável e alimentação inadequada durante o período de detenção em Israel.
A libertação dos demais brasileiros, incluindo a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), só ocorreu após intensas negociações diplomáticas conduzidas pelo governo brasileiro. Os 13 ativistas foram encaminhados à fronteira com a Jordânia e, segundo o Ministério das Relações Exteriores, estão sendo transportados para Amã com apoio da Embaixada brasileira.
Em nota oficial, o Itamaraty ressaltou o papel do diálogo diplomático para garantir a segurança dos cidadãos brasileiros e renovou seu apelo à comunidade internacional:
“O Brasil conclama a comunidade internacional a exigir de Israel a cessação do bloqueio à Gaza, por constituir grave violação ao direito internacional humanitário.”