Apontado como responsável por sacar recursos desviados de aposentados e repassar aos líderes da quadrilha, Rubens Oliveira Costa foi preso em flagrante na madrugada desta terça-feira (23) durante depoimento à CPMI do INSS, em Brasília. A ordem partiu do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que acusou o depoente de falso testemunho.
A decisão foi tomada após quase oito horas de sessão marcada por tensão, bate-bocas e sucessivas contradições de Costa. Segundo Viana, o depoente ocultou documentos, apresentou versões divergentes e mentiu sobre encontros e datas relacionados à investigação.
Acusações
As investigações apontam que Rubens atuava como operador do esquema chefiado por Antônio Carlos Camilo, conhecido como “Careca do INSS”. Ele admitiu ter entregue R$ 949 mil em espécie ao chefe da quadrilha e teve uma poupança de R$ 300 mil bloqueada por ordem judicial. A suspeita é de que os valores tenham origem ilícita.
Durante a oitiva, Costa foi acusado pelo relator da CPMI, deputado Alberto Gaspar (União-AL), de repetir histórias com versões distintas — o que configuraria contradição. Para parlamentares, ele teria agido como “laranja” para proteger superiores na rede criminosa.
Habeas corpus e impasse jurídico
Rubens possuía um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantia o direito ao silêncio e o protegia contra prisão caso se recusasse a responder perguntas. No entanto, a CPMI entendeu que a decisão não abrangia o crime de falso testemunho.
Sessão tensa
Ao longo da audiência, Rubens evitou responder a perguntas simples, como o local onde mora. Seu advogado, Carlos Urquisa, discutiu com integrantes da comissão e trocou acusações com o deputado Zé Trovão (PL-SC). Parlamentares de diferentes partidos pressionaram pela prisão, que acabou decretada pouco após a meia-noite.
De acordo com a CPMI, Costa realizava saques milionários em agências bancárias de Brasília, sem questionar a origem dos recursos. O senador Carlos Viana também destacou que o depoente mentiu sobre dificuldades financeiras, afirmando não conseguir pagar aluguel ao mesmo tempo em que ocultava a origem de doações para custear sua defesa.