A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou um processo disciplinar e um inquérito policial para apurar a conduta da delegada Ana Paula Balbino Nogueira, esposa do empresário René da Silva Nogueira Júnior, suspeito de assassinar o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, na última segunda-feira (11/8). Segundo o próprio René relatou em depoimento, a arma utilizada no crime pertencia à esposa.
A corregedoria afirmou que a investigação será conduzida “com rigor e transparência”, considerando todos os elementos relacionados à possível conduta da delegada.
A Polícia Civil também manifestou solidariedade aos familiares da vítima e reafirmou seu compromisso com a legalidade, imparcialidade e a completa elucidação dos fatos.
Empresário “patriota” e suposta formação em Harvard
René da Silva Nogueira Júnior, que se apresenta como empresário e "patriota", exibia em seu currículo uma “formação em Harvard”. No entanto, o que ele concluiu foi um curso online chamado Harvard ManageMentor, oferecido pela Harvard Business Publishing como programa de capacitação corporativa. Embora reconhecido no meio empresarial, esse curso não equivale a uma graduação, MBA ou qualquer diploma acadêmico concedido pela Harvard Business School.
Apesar disso, René se apresentava nas redes sociais como “formado em Harvard”, o que ganhou grande repercussão após o crime.
No LinkedIn, ele se descrevia como um “executivo C-Level” com ampla experiência em liderar transformações organizacionais e promover crescimento exponencial. Em seu perfil no Escavador, além da especialização online, ele cita passagens por instituições como PUC-Rio, FGV, USP, Ibmec e ESPM, além de cargos de liderança em empresas como Coca-Cola, Vigor, Red Bull e Ambev.
A própria esposa escreveu uma recomendação no LinkedIn, onde o define como um “homem de caráter irrefutável” e o descreve como “justo, empático, amável e querido por todos”.
No Instagram, onde tinha pouco mais de 28 mil seguidores, René se apresentava como “cristão, marido, pai e patriota”. Após a repercussão do caso, o perfil foi excluído.
Seu último cargo era de diretor de negócios na Fictor Alimentos, empresa onde havia começado a trabalhar menos de duas semanas antes do crime. A companhia emitiu nota repudiando o ato e esclarecendo que a conduta do executivo não refletia os valores da organização.
“O Sr. René Júnior havia iniciado suas atividades há menos de duas semanas. A empresa repudia veementemente essa e qualquer outra conduta contrária aos seus valores e manifesta sua solidariedade aos familiares da vítima”, afirmou a Fictor Alimentos em nota.
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