Por Leonardo Sakamoto, jornalista, no facebook
O ministro Alexandre de Moraes, em seu discurso inicial no julgamento de Jair Bolsonaro e outros réus do núcleo crucial da trama golpista, mandou recado aos políticos bolsonaristas que vêm pedindo a interrupção da ação penal e a aprovação de uma anistia aos envolvidos no Congresso Nacional sob a justificativa de “pacificação” da sociedade.
“A pacificação do país depende do respeito à Constituição, da aplicação das leis e do fortalecimento das instituições, não havendo possibilidade de se confundir a saudável e necessária pacificação com a covardia do apaziguamento, que significa impunidade e desrespeito à Constituição federal”, afirmou ele na manhã de hoje na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
Para ele, esse apaziguamento representa semear novas intentonas, “significa incentivo a novas tentativas de golpe de Estado”.
Ele não citou nomes, mas um dos principais políticos que vêm usando frequentemente a ideia de pacificação via anistia é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Criticado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro por não estar defendendo suficientemente a anistia do seu pai, Tarcísio começou a articular o trâmite da proposta no Congresso.
A aprovação de um projeto para perdoar e garantir os direitos políticos a todos os participantes de atos golpistas desde o segundo turno das eleições de 2022 é a principal pauta da extrema direita. Para além dos executores dos ataques às sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2023, a proposta quer evitar a punição de Bolsonaro e seus aliados, de políticos a generais, que planejaram ficar do poder a despeito da vontade das urnas.
Questionado, em entrevista à GloboNews, em fevereiro, o presidente do Senado Davi Alcolumbre foi claro ao dizer que a pauta da anistia “não vai pacificar o Brasil” e “não é a prioridade do Brasil, nem do parlamento brasileiro”. Afirmou que a “agenda do brasileiro é trabalharmos para reduzir a pobreza do Brasil