O PensarPiauí vem acompanhando e publicando os jingles que embalam a campanha de Lula em 2026. São músicas que apostam na emoção, na memória política e em temas como soberania nacional, trajetória popular e continuidade do atual governo.
Neste ano, algumas canções já ganharam espaço nas redes sociais e entre apoiadores do presidente. O PensarPiauí já destacou “Tapete Vermelho”, “Rap do Silva” e “O Herói que Não Usa Capa”, músicas que resgatam diferentes momentos da trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva e procuram transformar a disputa eleitoral em narrativa musical.
JINGLES (1) - "Tapete Vermelho": música narra trajetória de Lula do sertão ao reconhecimento mundial
JINGLES (2) - 'É só mais um Silva", mais um jingle da campanha de Lula/2026
JINGLES (3) - Lula: O Herói Que Não Usa Capa
Mas nenhuma retrospectiva dos jingles de Lula estaria completa sem voltar a 1989, quando surgiu uma música que ultrapassou os limites de uma campanha eleitoral e permaneceu no imaginário político brasileiro por décadas: “Lula Lá”, também associada ao histórico lema “Sem medo de ser feliz”.
“Lula Lá” nasceu na histórica eleição de 1989
“Lula Lá” foi composta pelo cantor e compositor Hilton Acioli para a primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, ano da primeira eleição direta para presidente da República após a ditadura militar.
A ideia surgiu depois que Acioli recebeu do publicitário Paulo Tarso Santos, que coordenava o marketing da campanha petista, a missão de produzir uma música que explorasse o próprio nome do candidato.
Inicialmente, o compositor não gostou muito da sugestão de brincar com “Lula lá”. Depois, porém, percebeu a força sonora da expressão e começou a trabalhar na composição que entraria para a história da propaganda política brasileira.
Antes do jingle definitivo, Acioli chegou a produzir um samba-exaltação chamado “Vai lá e vê”.
"Lula Lá”, entretanto, que conquistou a campanha e as ruas.
Jingle enfrentou resistência dentro do próprio PT
Curiosamente, aquela que se tornaria uma das músicas políticas mais conhecidas do Brasil não teria sido recebida com entusiasmo imediato por toda a direção petista.
Segundo relato do jornalista Ricardo Kotscho, dirigentes do PT demonstraram resistência à composição. A aprovação teria ocorrido após a insistência do próprio Lula.
A escolha se mostrou decisiva.
Mesmo com a derrota de Lula para Fernando Collor no segundo turno de 1989, “Lula Lá” sobreviveu àquela eleição. A música continuou associada ao petista durante os anos seguintes e acompanhou simbolicamente sua longa caminhada até chegar à Presidência da República, em 2002.
Para Hilton Acioli, o sucesso transformou sua carreira. O próprio compositor chegou a definir o jingle como sua grande “vitrine” profissional.
Artistas se reuniram para cantar “Lula Lá”
Outro elemento que ajudou a eternizar a música foi o histórico videoclipe da campanha de 1989.
A gravação reuniu dezenas de artistas brasileiros, entre eles Chico Buarque, Gal Costa, Beth Carvalho, Elba Ramalho, Marieta Severo, Lucélia Santos, Malu Mader, Aracy Balabanian, Reginaldo Faria, Adriana Esteves, Cláudia Abreu, Hugo Carvana, Wagner Tiso, Paulo Betti e Joana Fomm, além de muitos outros nomes da cultura nacional.
O clipe tornou-se um retrato de um período marcado pela redemocratização e pela volta da eleição presidencial direta.
Em outra produção daquele período, Gilberto Gil, Chico Buarque e Djavan interpretaram “Sem medo de ser feliz”.
“Lula Lá” ganhou nova versão em 2022
Mais de três décadas depois da gravação original, “Lula Lá” voltou com força na eleição presidencial de 2022.
Uma nova versão foi lançada em maio daquele ano, com adaptação de Leonardo Leone e produção executiva de Janja Lula da Silva e Ricardo Stuckert.
A gravação reuniu artistas de diferentes gerações, entre eles Pabllo Vittar, Duda Beat, Chico César, Martinho da Vila, Lenine, Maria Rita, Paulo Miklos, Zélia Duncan, Mart’nália, Teresa Cristina, Odair José e Otto, entre outros.
Também surgiram versões regionais, com diferentes ritmos brasileiros, mostrando como a composição de 1989 havia atravessado décadas e se adaptado a novos públicos.
De “Lula Lá” aos jingles de Lula em 2026
Agora, em 2026, novas músicas voltam a ocupar espaço na campanha e nas redes sociais. “Tapete Vermelho”, “Rap do Silva” e “O Herói que Não Usa Capa” representam uma nova geração de canções políticas, produzidas em uma época dominada por Instagram, TikTok, YouTube e vídeos curtos.
O formato mudou. A velocidade da comunicação mudou. As redes sociais substituíram parte do protagonismo que rádio e televisão tinham nas campanhas de décadas anteriores.
Mas a tentativa de transformar política em emoção através da música permanece.
É justamente por isso que “Lula Lá” continua sendo uma referência incontornável. Criado para uma eleição perdida em 1989, o jingle atravessou derrotas, vitórias, mudanças tecnológicas e diferentes gerações de eleitores.
Mais de três décadas depois, a música permanece como um dos jingles políticos mais reconhecidos da história recente brasileira — e ajuda a explicar por que, de 1989 a 2026, a música continua ocupando lugar importante na construção da imagem política de Lula.