O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vantagem em parte dos cenários da disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (16). O levantamento, porém, ainda não captou os efeitos políticos da divulgação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que passou a ser tratado nos bastidores políticos como escândalo “Flávio-Vorcaro” ou caso “Dark Horse”.
As informações foram publicadas originalmente pela Folha de S.Paulo. A pesquisa foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), antes da repercussão nacional da reportagem divulgada pelo Intercept Brasil sobre os diálogos envolvendo o senador e Vorcaro.
O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Lula cresce contra Zema e Caiado em cenários de segundo turno
Mesmo sem refletir ainda o impacto político do caso envolvendo Flávio Bolsonaro, o Datafolha mostra melhora no desempenho eleitoral de Lula em relação ao levantamento anterior, divulgado em abril.
No cenário de segundo turno contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, Lula aparece com 46% das intenções de voto, contra 40% do adversário. Já em uma disputa direta contra Ronaldo Caiado, o presidente registra 46%, enquanto o governador de Goiás soma 39%.
Nos dois cenários, 13% dos entrevistados afirmaram votar em branco ou nulo, enquanto 2% disseram não saber em quem votar. Em abril, Lula aparecia tecnicamente empatado com ambos.
Flávio Bolsonaro mantém empate com Lula
O cenário mais competitivo da pesquisa continua sendo o eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os dois aparecem empatados com 45% das intenções de voto.
Outros 9% declararam voto branco ou nulo, enquanto 1% afirmou não saber em quem votar.
Segundo a reportagem da Folha, a maior parte das entrevistas ocorreu antes da divulgação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O episódio interrompeu uma sequência de movimentos considerados favoráveis ao senador no campo bolsonarista.
Caso “Dark Horse” ainda não foi absorvido pela pesquisa
A divulgação dos diálogos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro provocou forte repercussão política nesta semana. A investigação gira em torno do financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores de Brasília, aliados do governo avaliam que o episódio pode produzir desgaste político no eleitorado conservador e de centro, especialmente se novas revelações vierem à tona nos próximos dias.
Antes do caso ganhar repercussão nacional, Flávio vinha acumulando vitórias políticas importantes. Entre elas, a derrubada do veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, proposta que pode beneficiar juridicamente Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
O senador também tentou capitalizar politicamente a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A derrota foi histórica: pela primeira vez desde 1894, um indicado ao STF foi barrado pelos senadores.
Medidas econômicas ajudam Lula
Analistas apontam que o crescimento de Lula ocorre após o governo federal lançar medidas de forte apelo popular nas últimas semanas.
Entre elas estão a revogação da chamada “taxa das blusinhas” e ações voltadas à contenção do preço dos combustíveis, especialmente da gasolina.
A avaliação é que iniciativas ligadas diretamente ao custo de vida ajudaram o governo a recuperar espaço entre eleitores mais impactados pela inflação.
Enquanto isso, Romeu Zema intensificou críticas ao STF e passou a enfrentar maior pressão política após virar alvo de acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República.
Primeiro turno mantém polarização entre Lula e Flávio
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%.
Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada. Cabo Daciolo registra 1%, enquanto Renan Santos soma 2%.
Brancos e nulos chegam a 9%, enquanto 3% disseram não saber em quem votar.
Em outra simulação, com a presença de Ciro Gomes, Lula aparece com 37%, Flávio Bolsonaro com 34% e Ciro com 5%.
Apesar de aparecer no levantamento, Ciro já declarou publicamente que pretende disputar o Governo do Ceará em 2026, e não a Presidência da República.
Lula lidera pesquisa espontânea
Na pesquisa espontânea — quando os entrevistadores não apresentam nomes aos eleitores — Lula mantém ampla vantagem.
O presidente foi citado por 27% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 18%.
Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, foi lembrado por 3%. Ronaldo Caiado registrou 1%.
O índice de indecisos segue elevado: 39% afirmaram ainda não saber em quem votar.
Rejeição continua alta entre Lula e Flávio
Lula e Flávio Bolsonaro também concentram os maiores índices de rejeição da disputa.
Segundo o Datafolha, 47% afirmaram que não votariam em Lula “de jeito nenhum”. Já Flávio Bolsonaro registra rejeição de 43%.
Romeu Zema aparece com 15% de rejeição e é desconhecido por 54% do eleitorado. Ronaldo Caiado registra rejeição de 13% e é desconhecido por 53%.
Eleitorado de centro pode decidir eleição de 2026
O Datafolha também analisou o comportamento dos eleitores que não se identificam nem com o bolsonarismo nem com o petismo — segmento considerado estratégico para a eleição presidencial de 2026.
Nesse grupo, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em um eventual segundo turno.
Entre os entrevistados posicionados no centro da escala ideológica proposta pelo instituto, 38% disseram votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 32% escolheriam Lula. Outros 27% afirmaram que votariam em branco ou nulo.
A covardia da Folha para esconder o estrago de Vorcaro na extrema direita, por Moisés Mendes
Prestem atenção ao truque sujo da Folha. A pesquisa divulgada nesse sábado, que dá empate de 45% entre Lula e Flávio Bolsonaro, foi realizada, como a própria Folha destaca, quase como desculpa, até quarta-feira.
Essa é a ressalva que está no segundo parágrafo do texto da manchete: “O levantamento foi realizado na terça (12) e na quarta-feira (13). A maioria das entrevistas foi feita antes da revelação, pelo site Intercept Brasil, das conversas entre o filho de Jair Bolsonaro (PL) e o então dono do Banco Master”.
O vazamento das conversas pelo Intercept aconteceu no início da tarde de quarta. A pesquisa do Datafolha é feita geralmente até quinta-feira. A anterior foi feita entre 7 e 9 de abril. O dia 9 foi uma quinta.
Por que desta vez não abrangeu também esse dia da semana, exatamente o dia seguinte ao da bomba que abalou as estruturas do fascismo e ameaça sepultar a candidatura do filho ungido?
Por que desta vez a0 Folha não realizou pesquisas na quinta? Por que uma pesquisa feita na terça e na quarta só foi divulgada no sábado?
A Folha teve quarta, quinta e sexta-feira, mais a manhã de sábado, para mexer na panela da pesquisa e aparecer com esse empate. Surpreende? Não. Porque, claro, não pega a quinta-feira.
A Folha terá de explicar por que fez uma pesquisa fechada na quarta e guardou até agora, para manchetear esse empate. É jogo sujo, na avaliação de qualquer foca. Qual o valor jornalístico dessa pesquisa? Zero.
Temos um fato novo que não aparece na pesquisa, porque a Folha se negou a ir em frente e pesquisar também na quinta-feira e até na sexta. A Folha foi covarde.