CUIDADO: governadores conservadores se reúnem com Motta. Assunto: PL Antifacção

Governo e setores conservadores se enfrentam no Congresso sobre taxação, justiça social e estratégias de combate ao crime organizado

O que se trava em Brasília é uma verdadeira guerra política. Uma disputa de projetos que expõe com clareza a divisão que marca o Brasil atual. De um lado, o governo federal e setores progressistas defendem a taxação dos mais ricos e a redução da carga tributária sobre os mais pobres, uma tentativa de corrigir desigualdades históricas e promover justiça social. Do outro, forças conservadoras lutam para manter a estrutura existente, na qual os mais pobres continuam arcando com o peso dos impostos enquanto os mais abastados preservam seus privilégios.

Nos últimos dias, o embate se concentrou na área da Segurança Pública, após a chacina no Rio de Janeiro que resultou em 121 mortes. Em resposta, o governo enviou ao Congresso o Projeto de Lei Antifacção, que propõe uma estratégia baseada em inteligência e integração institucional para combater o crime organizado. No entanto, o relator da proposta, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou duas versões modificadas do texto, enfraquecendo o papel da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, um gesto interpretado como concessão a setores ligados ao crime organizado. Diante da forte reação pública e política, Derrite recuou, restabelecendo trechos do texto original. A votação do projeto pode ocorrer ainda hoje.

Mesmo assim, a batalha está longe de terminar. Nos bastidores, articula-se uma ofensiva conservadora. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), marcou para esta quarta-feira (12), às 16h, uma reunião com os governadores Cláudio Castro (RJ), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ibaneis Rocha (DF) e a vice-governadora Celina Leão (DF). O encontro deve tratar do chamado Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, proposta relatada por Derrite e das pautas de endurecimento penal e integração das forças de segurança.

Chegaram a circular rumores de que a votação do PL Antifacção poderia ser iniciada durante a reunião com os governadores, o que foi negado pela assessoria de Motta. Ainda assim, o movimento revela a tensão crescente entre os dois blocos que disputam o rumo do país. Os setores democráticos e progressistas permanecem em alerta: a direita e os conservadores podem tentar virar o jogo a qualquer momento, valendo-se de articulações discretas e estratégias de bastidor.