Crise política abala futuro de Infantino na Fifa

Planos da Uefa ameaçam permanência de Infantino até 2027.

A turbulência política envolvendo Gianni Infantino, atual presidente da Fifa, ameaça não apenas sua provável reeleição em 2027, mas até mesmo sua permanência no cargo até lá. Um novo cenário surgiu após a Uefa, a federação europeia de futebol, iniciar um movimento destinado a pressionar pela saída do dirigente suíço.

A Crise Dentro da Fifa

A discussão teve início após Infantino apresentar a polêmica proposta do projeto Fifa Forward Enterprise, voltado para a venda de direitos da Copa do Mundo a investidores privados. Apesar de a proposta já ter sido retirada, ela gerou uma reação negativa em várias federações, inclusive na base de apoio de Infantino. A intenção do projeto se mostrou desastrosa, alimentando ainda mais a disputa política que já estava em ebulição.

A imagem de Infantino também foi prejudicada por diversas polêmicas anteriores, como a proposta de premiar Donald Trump com um prêmio de paz e um acordo de patrocínio controverso envolvendo a empresa ADI Predicstreet. As críticas receberam respaldo até do Comitê Olímpico Internacional (COI), tornando a posição de Infantino cada vez mais insustentável.

Uefa em Ação

A Uefa aproveitou a situação delicada para manifestar publicamente seu descontentamento com Infantino. No último sábado (1), a entidade emitiu um novo comunicado afirmando ter perdido a confiança na liderança do suíço e acenando para a possibilidade de articular um movimento que pode culminar na renúncia do presidente da Fifa.

O pano de fundo dessa movimentação é a tentativa da Uefa de promover um candidato próprio capaz de desalojar Infantino do poder, utilizando a defesa dos valores do esporte como argumento principal. A Uefa já se articulou entre seus afiliados e outras confederações para atacar os projetos do dirigente.

Impacto e Reações

O apoio político ao projeto enfraqueceu após a demissão de Carlos Cordeiro, conselheiro próximo de Infantino, e a crítica do diretor de operações Kevin Lamour, que classificou o projeto como uma iniciativa pessoal do presidente. As confederações como Concacaf e AFC, inicialmente bases de apoio, expressaram preocupação com a falta de comunicação adequada sobre a proposta.

Organizações como a CAF, OFC e Conmebol ainda mantêm um posicionamento mais cauteloso, aguardando para debater internamente os impactos do projeto, agora já abandonado. Contudo, a Uefa busca focar em uma candidatura única para as eleições da Fifa de 2027, momento em que poderia, juntamente com aliados, obter maioria suficiente para impedir a permanência de Infantino.

Próximos Passos

O estatuto da Fifa determina que, caso o presidente seja afastado, o vice-presidente mais antigo assume o comando até a realização de uma nova eleição. Atualmente, esse papel caberia a Shaikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa, figura influente por sua participação na Confederação Asiática de Futebol.

Essa situação gera expectativa para o Congresso da Fifa, programado para março de 2027 no Marrocos, onde as eleições para o próximo mandato presidencial serão realizadas. Há um intenso jogo de bastidores em curso, e o destino de Infantino, bem como o futuro da Fifa, permanece incerto.