Uma representação protocolada no Ministério Público do Estado do Piauí pede investigação urgente sobre supostas irregularidades graves no Hospital de Urgência de Teresina, principal unidade pública de trauma e emergência do estado. O documento, assinado pelo professor Wilson Pereira Gomes de Oliveira (Wilson da Educação), denuncia possível precarização dos serviços de saúde, falhas estruturais e problemas sanitários recorrentes no hospital administrado pela Fundação Municipal de Saúde.
Segundo a representação, pacientes internados no HUT relataram ausência de medicamentos básicos, alimentação inadequada, falhas na climatização, infestação de baratas e precariedade nas instalações físicas da unidade. Uma paciente chegou a afirmar publicamente que a população deveria “visitar o hospital para ver a realidade de perto”, em referência às condições encontradas durante a internação.
O documento destaca ainda que os problemas não seriam recentes. A denúncia relembra episódios registrados em fevereiro deste ano, quando vídeos e imagens mostraram infiltrações, goteiras e deterioração estrutural em áreas de atendimento a pacientes graves. Em outro episódio, funcionários teriam improvisado sacos plásticos para conter água que escorria do teto durante fortes chuvas em Teresina.
Na representação, Wilson Pereira sustenta que a repetição das denúncias indica possível falha sistêmica na gestão administrativa e operacional do hospital. O texto também aponta que a Fundação Municipal de Saúde aparece entre os órgãos municipais com maior número de registros e procedimentos no Ministério Público envolvendo falta de medicamentos, demora em atendimentos e falhas estruturais na rede pública de saúde.
O documento argumenta que a situação pode representar violação ao direito constitucional à saúde e à dignidade da pessoa humana. Entre os problemas citados estão infiltrações em áreas hospitalares, deficiência sanitária, falhas de climatização, infestação de pragas e ausência de insumos essenciais.
Diante do cenário, o representante pede ao Ministério Público a instauração de procedimento para investigar as denúncias, além da realização de vistoria técnica no hospital, requisição de relatórios da Vigilância Sanitária e apuração de eventual responsabilidade administrativa e civil dos gestores públicos envolvidos.
Entre os pedidos apresentados estão ainda a fiscalização dos contratos de manutenção predial, climatização e controle de pragas, bem como a adoção de medidas emergenciais para garantir condições adequadas de atendimento aos pacientes do HUT.