A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026 voltou a ser alvo de questionamentos nos bastidores da política. Embora o Partido Liberal mantenha oficialmente seu nome como candidato ao Palácio do Planalto, uma série de acontecimentos nas últimas semanas alimenta especulações de que o senador poderá abandonar a corrida presidencial antes mesmo da convenção nacional da legenda.
O principal fator que reforça essas dúvidas é a demora de Flávio Bolsonaro em definir quem será o candidato do PL ao Senado pelo Rio de Janeiro. A indefinição passou a ser interpretada por aliados como um possível indicativo de que o senador estaria preservando sua própria vaga no Senado como um plano alternativo, caso a candidatura ao Planalto não se mostre viável.
Demora na definição do Senado gera desconfiança dentro do PL
Nos bastidores do PL, cresce o desconforto com a ausência de uma definição sobre quem disputará a vaga ao Senado pelo partido no Rio de Janeiro. A escolha está entre o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, preferido da ala política da legenda, e o deputado federal Carlos Jordy, que conta com maior apoio do setor ideológico ligado ao bolsonarismo.
A falta de uma decisão alimenta interpretações de que Flávio Bolsonaro evita abrir mão de seu mandato no Senado antes de ter segurança sobre sua viabilidade eleitoral na disputa presidencial.
Apesar das especulações, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirma estar convencido de que Flávio permanecerá como candidato à Presidência. Mesmo assim, dirigentes e parlamentares do partido admitem reservadamente que a demora tem provocado insegurança entre aliados e prejudicado a estratégia eleitoral da legenda no Rio de Janeiro.
Além disso, integrantes do PL avaliam que a indefinição beneficia adversários como Benedita da Silva, do PT, e Pedro Paulo, apoiado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, que avançam na articulação de suas campanhas.
Escândalo envolvendo Banco Master ampliou desgaste político
Outro fator que contribuiu para aumentar as dúvidas sobre a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro foi o desgaste provocado pelo caso envolvendo o Banco Master.
A divulgação de áudios em que o senador solicita apoio financeiro milionário ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, gerou forte repercussão política. O episódio provocou desconforto dentro do próprio campo conservador e passou a ser visto por aliados como um dos principais obstáculos para consolidar sua candidatura.
O episódio também aumentou a pressão para que o PL reavaliasse a competitividade eleitoral do senador antes da oficialização da chapa.
Julho é considerado decisivo para o futuro da candidatura
Interlocutores da direção nacional do PL consideram o mês de julho decisivo para medir o impacto político das denúncias e avaliar se Flávio Bolsonaro mantém condições de disputar a Presidência com chances competitivas.
A expectativa é que a legenda utilize esse período para analisar pesquisas eleitorais, o comportamento do eleitorado e a capacidade do senador de superar o desgaste provocado pelas recentes controvérsias.
O prazo final para uma definição importante será o próximo dia 25, quando ocorrerá a convenção nacional do PL, prevista para oficializar sua candidatura ao Palácio do Planalto.
Declarações do próprio Flávio alimentaram especulações
As especulações também ganharam força após declarações do próprio Flávio Bolsonaro. Em entrevistas e conversas de bastidores, o senador afirmou que sua eventual retirada da disputa "teria um preço", sinalizando que uma negociação política poderia ocorrer.
Analistas políticos interpretam a declaração como uma possível estratégia de negociação com aliados em torno de pautas prioritárias do bolsonarismo, entre elas propostas relacionadas à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora a fala não represente um anúncio de desistência, ela reforçou a percepção de que o cenário ainda permanece aberto.
Pressão por nomes alternativos cresce entre aliados
Enquanto isso, setores do Centrão e parte da direita defendem que o campo conservador lance um nome com maior potencial de unificação para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.
Entre os nomes mais citados aparecem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que já manifestou publicamente críticas à insistência na candidatura de Flávio Bolsonaro.
A demora na definição dos palanques estaduais e das alianças regionais também tem sido apontada como mais um elemento que amplia a insegurança dentro do PL.
Candidatura continua oficialmente mantida
Apesar do aumento dos rumores e das dúvidas nos bastidores, Flávio Bolsonaro não anunciou qualquer desistência de sua pré-candidatura. Oficialmente, o Partido Liberal mantém o senador como candidato à Presidência da República e trabalha para homologar seu nome durante a convenção nacional marcada para o dia 25.
Até lá, porém, a combinação entre indefinições estratégicas, desgaste político e pressões internas mantém vivo o debate sobre a real viabilidade de sua candidatura, fazendo crescer, nos bastidores de Brasília, as especulações sobre uma possível mudança de planos antes do início oficial da campanha eleitoral.