CPMI do INSS apura depósitos milionários a deputado do MA

Quebra de sigilo revela movimentações atípicas ligadas a fraudes previdenciárias

A CPMI do INSS identificou depósitos suspeitos na conta do deputado estadual Édson Araújo após quebra de sigilo bancário. Só em junho de 2024, mais de R$ 54,9 milhões teriam sido creditados sem origem lícita conhecida. A comissão vê indícios de ligação com fraudes contra aposentados e planeja convocá-lo para depor.

O que aconteceu

A quebra de sigilo bancário autorizada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS colocou o deputado estadual maranhense Édson Araújo no centro das apurações. Segundo o vice-presidente da comissão, deputado federal Duarte Júnior, a análise dos dados confirmou suspeitas já levantadas durante a investigação.

De acordo com Duarte, apenas em junho de 2024 foram identificados créditos superiores a R$ 54,9 milhões na conta pessoal do parlamentar. O volume, afirmou, não encontra respaldo em rendimentos lícitos conhecidos nem em atividade empresarial declarada. Para o vice-presidente, não há explicação plausível para a movimentação financeira, o que configura indícios robustos de irregularidade.

A investigação decorre de apurações sobre fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS, envolvendo cobranças associativas não autorizadas. A CPMI apura a atuação de entidades, operadores e intermediários que teriam se beneficiado desses descontos. Na avaliação de Duarte, os dados bancários reforçam a suspeita de que os valores possam ter origem direta nos benefícios previdenciários.

O deputado federal também relatou ter sofrido ameaças e tentativas de intimidação atribuídas a Édson Araújo no período em que a comissão avançava sobre pedidos de quebra de sigilo, com o objetivo de dificultar as apurações.

Diante das informações, a vice-presidência da CPMI articulou a convocação de Édson Araújo para prestar esclarecimentos, com expectativa de oitiva em fevereiro. A comissão pretende esclarecer a origem dos recursos, identificar remetentes e verificar eventual uso de intermediários para ocultar valores, considerando ainda o contexto político de Turilândia (MA), alvo de investigações por desvios milionários de recursos públicos.