A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (18) a convocação da empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão ocorre após a divulgação de mensagens entre os dois, tornadas públicas com a quebra de sigilo das conversas e que agora integram o foco das investigações.
Nos diálogos analisados pela CPI, Vorcaro menciona suposta proximidade com autoridades, o que ampliou o interesse dos parlamentares em ouvir Graeff. A convocação foi baseada em requerimento do relator Alessandro Vieira (MDB-SE), que aponta a empresária como “interlocutora frequente” do investigado durante o período apurado.
CPI investiga mensagens e possível influência de Vorcaro
Segundo o relator, o conteúdo das conversas pode ajudar a esclarecer pontos relevantes sobre a atuação de Daniel Vorcaro e eventuais relações com agentes públicos. Um dos trechos citados menciona um encontro com alguém identificado como “Alexandre Moraes”, sem confirmação de que se trate do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O parlamentar destacou que o suposto encontro, descrito como informal e ocorrido durante um feriado, nas proximidades da residência do banqueiro, levanta dúvidas sobre sua natureza — se teria caráter social ou institucional.
Além da convocação de Martha Graeff, a CPI aprovou outros requerimentos, incluindo a oitiva de autoridades de Mato Grosso suspeitas de irregularidades no sistema de crédito consignado estadual, bem como de representantes de empresas citadas nas investigações.
Convocação em CPI pode obrigar comparecimento
Em regra, convocações feitas por comissões parlamentares implicam comparecimento obrigatório. No entanto, há precedentes em que convocados obtêm decisões judiciais para não prestar depoimento, especialmente em situações que envolvem direito ao silêncio ou risco de autoincriminação.
Defesa de Martha Graeff diz que empresária está à disposição
Em nota divulgada na terça-feira (17), a defesa de Martha Graeff afirmou que a empresária está à disposição das autoridades brasileiras para prestar esclarecimentos. O advogado Lucio de Constantino declarou que sua cliente não possui bens ou valores decorrentes do relacionamento com Daniel Vorcaro.
Segundo a defesa, Graeff vive há quase duas décadas nos Estados Unidos, onde mantém carreira internacional e declara regularmente seus bens às autoridades fiscais locais. Ainda de acordo com a nota, não há registro de aumento patrimonial relacionado ao vínculo com o banqueiro, nem existência de estruturas financeiras em seu nome no exterior.
Caso Banco Master amplia investigações no Congresso
O Banco Master entrou no radar das investigações após a suspensão de cerca de 250 mil contratos de empréstimos consignados vinculados ao INSS. A medida foi adotada diante da falta de comprovação documental em parte das operações, segundo apuração.
Na semana anterior, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS também aprovou a convocação de Martha Graeff, indicando que o caso ganha dimensão mais ampla no Congresso Nacional.
Por outro lado, a CPI do Crime Organizado rejeitou, na mesma sessão, um requerimento que previa a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.