Covardes, covardes, covardes! Quando é com Lula, rugem; quando é com Trump, se calam

A tibieza diante do ataque de Trump contrasta com a altivez seletiva que Hugo Motta e Davi Alcolumbre demonstram quando os interesses em jogo dizem respeito ao próprio poder

Quase 24 horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras e atacar diretamente a soberania nacional — com ofensas explícitas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e críticas veladas ao bloco do BRICS —, os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), optaram por um posicionamento tardio e evasivo.

Em nota conjunta divulgada ontem, os parlamentares limitaram-se a afirmar que o Congresso Nacional está “pronto para agir com equilíbrio e firmeza em defesa da nossa economia”. Não houve, no entanto, qualquer menção à retórica agressiva de Trump contra instituições democráticas brasileiras, nem condenação à ameaça de sanções a países que “desrespeitarem os interesses dos EUA”. A declaração, elaborada após uma reunião entre os dois líderes, foi recebida nos bastidores como excessivamente branda, mais voltada a preservar pontes com o bolsonarismo e o centrão do que a defender o país.

Segundo relato do jornalista Valdo Cruz, um líder político chegou a ligar para Hugo Motta, criticando a omissão diante do ataque comercial: “Vocês poderiam pelo menos ter dito ‘nós repudiamos o aumento da tarifa em 50%’. O resto está certinho, mas vocês tinham que ter criticado”. A resposta, segundo Cruz, foi reveladora: Motta e Alcolumbre disseram que precisavam de “algo acima de qualquer suspeita”. A ambiguidade da nota, nesse contexto, soa menos como prudência e mais como conivência — um gesto calculado para não melindrar aliados à direita e preservar alianças de ocasião. Enquanto isso, o Congresso se cala diante da afronta externa e hesita em defender com clareza a democracia brasileira.

A tibieza diante do ataque de Trump contrasta com a altivez seletiva que Hugo Motta e Davi Alcolumbre demonstram quando os interesses em jogo dizem respeito ao próprio poder. Em junho, por exemplo, ao ser questionado se o Congresso derrubaria um eventual veto do presidente Lula à proposta de aumento no número de deputados federais, Alcolumbre respondeu com uma contundência incomum: “Se o veto do presidente chegar ao Senado às 10 horas, 10h01 ele estará derrubado.” Já Hugo Motta protagonizou cena semelhante ao articular, sem aviso prévio ao Planalto, a derrubada do decreto do governo que aumentava o IOF sobre transações internacionais — medida voltada à justiça tributária. Com apoio do centrão e sob forte lobby de bancos e casas de apostas, Motta conduziu a votação em ritmo relâmpago, ignorando qualquer acordo institucional com o Executivo. Ou seja, quando se trata de afrontar Lula ou proteger privilégios dos setores mais poderosos, os presidentes das Casas Legislativas demonstram ousadia e rapidez. Mas, quando o ataque parte de Trump contra o Brasil, a Constituição ou a economia nacional, a coragem some e a nota vira silêncio diplomático.