Contrato sob sigilo de Cláudio Castro destina R$ 17 milhões a jatinhos

A contratação atende ao Palácio Guanabara, incluindo o governador, autoridades e equipes de segurança

A renovação de um contrato de até R$ 8,6 milhões anuais para jatinhos no governo do Rio reacendeu críticas à gestão estadual. O principal questionamento recai sobre a falta de transparência: dados sobre passageiros, rotas e frequência dos voos seguem sob sigilo, apesar de existirem registros.

O que aconteceu

O governo do Rio de Janeiro renovou um contrato para fretamento de jatinhos particulares, com custo estimado de até R$ 8,6 milhões por ano. Firmado no mesmo dia da renúncia do ex-governador, o acordo já consumiu R$ 17,4 milhões em três anos. A contratação atende ao Palácio Guanabara, incluindo o governador, autoridades e equipes de segurança.

A principal controvérsia não é apenas o valor, mas a recusa do governo em divulgar informações sobre o uso das aeronaves. Dados como lista de passageiros, destinos e número de viagens não são informados, sob a justificativa de que envolvem questões sensíveis de segurança. Especialistas contestam essa posição, apontando falta de transparência.

O projeto surgiu após a reeleição de Cláudio Castro, em 2022, com base na necessidade de flexibilidade na agenda e possíveis limitações da aviação comercial. A licitação exigia aeronaves com capacidade para oito passageiros, autonomia para voos diretos entre Rio e Brasília e operação em alta altitude.

Apesar da alegada urgência, o contrato prevê solicitação de voos com até 24 horas de antecedência. A empresa vencedora foi a Líder Táxi Aéreo, com pagamento por quilometragem.

Embora haja registros detalhados das viagens, pedidos via Lei de Acesso à Informação não obtiveram resposta efetiva. A postura contrasta com a divulgação mensal de voos de helicópteros no estado desde 2013, reforçando críticas sobre a falta de transparência no caso dos jatinhos.