A movimentação no mercado financeiro brasileiro no dia em que Donald Trump anunciou um novo tarifaço contra o Brasil levantou suspeitas de uso de informação privilegiada. Segundo reportagem do Jornal Nacional, no dia 9 de julho, poucas horas antes do anúncio oficial de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, foi registrada uma operação bilionária de compra de dólares.
Por volta das 13h30, investidores compraram entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões a uma cotação de R$ 5,46. Após o anúncio oficial das tarifas, os mesmos dólares foram revendidos a R$ 5,60, gerando lucros de até 50% em um intervalo de apenas três horas.
Para Spencer Hakimian, gestor de fundos de investimentos em Nova York, o padrão da transação indica que alguém teve acesso antecipado à informação. Ele apontou que movimentos semelhantes ocorreram em ocasiões anteriores, quando Trump anunciou tarifas contra países como África do Sul, União Europeia, México e Canadá.
O professor Paul Johnson, da Fordham University, afirmou que o caso brasileiro é um claro exemplo de operação baseada em informação privilegiada. No entanto, segundo ele, as chances de investigação são mínimas, uma vez que os órgãos responsáveis, como o Departamento de Justiça e a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), estavam sob forte influência do governo Trump.
Nos Estados Unidos, parlamentares do Partido Democrata manifestaram preocupação e solicitaram investigações, mas os pedidos não avançaram no Congresso. Trump, por sua vez, demonstrava plena consciência do impacto de seus anúncios sobre os mercados e chegou a mencionar amigos bilionários que teriam lucrado com essas situações.
A falta de independência dos órgãos de controle e a influência política dificultam a apuração sobre quem se beneficiou com a desvalorização do real, alimentando as suspeitas de que aliados do ex-presidente estejam por trás dessas operações.