O ex-presidente nacional do PT, José Genoino, e o deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) convergiram em análises recentes, feitas ao 247, sobre os desafios do campo progressista diante do bolsonarismo e da ofensiva da extrema direita. Ambos destacaram a necessidade de deslegitimar esse projeto político e de consolidar uma resposta que combine mobilização social, ação institucional e resultados concretos de governo.
Genoino afirmou que a principal tarefa da conjuntura atual é “enfrentar e desautorizar o discurso e a influência da extrema direita”, lembrando que o bolsonarismo é apenas uma de suas expressões. Para ele, a ascensão desse campo político se vincula a um ciclo de criminalização da política e à espetacularização do debate público, que favoreceram uma gramática de ódio e violência. “Temos a tarefa de governar e, ao mesmo tempo, libertar corações, mentes, palavras, símbolos e conteúdos dessa subjetividade da morte, da guerra e do ódio”, declarou.
A estratégia, segundo Genoino, deve ir além do calendário eleitoral, envolvendo comunicação, formação política e organização territorial. Ele defendeu a construção de forças sociais organizadas com um programa capaz de disputar valores de forma radicalizada e polarizada. No seu diagnóstico, a extrema direita opera pela produção permanente de medo e antagonismo: “eles ficam mais violentos para provocar o medo, porque trabalham com medo e ódio”. Para enfrentá-la, o ex-dirigente propõe uma narrativa centrada em direitos sociais, soberania e democracia, articulada com políticas públicas que materializem a “pauta do povo” e um processo pedagógico de esclarecimento político.
Já Zeca Dirceu destacou os impactos da política tarifária imposta pelos Estados Unidos sob o governo Donald Trump, agravados pela conivência de Jair Bolsonaro e seus aliados. Para o parlamentar, essa combinação expôs a incoerência do discurso que sustentava a imagem de “patriotas”. “O Bolsonaro e a sua turma contaram uma mentira repetidas vezes, de que eram patriotas, que o Brasil estava acima de tudo. Agora provaram que não estão nem aí para o país, que aceitam destruir a agricultura e a indústria para salvar a pele da família Bolsonaro”, afirmou.
Segundo ele, a pressão tarifária sobre setores estratégicos, como carnes e madeira, evidenciou custos internos que deverão se prolongar por meses. Zeca vinculou a reação diplomática e legislativa do governo não apenas à mitigação dos danos econômicos, mas também à disputa simbólica com a oposição. “Caiu o manto dos patriotas e não volta nunca mais. Vamos começar a ver consequência do que eles fizeram, e isso terá reflexo eleitoral”, avaliou.
O deputado defendeu que o Parlamento acelere votações voltadas à recomposição econômica e ressaltou que até setores do centro-direita tendem a se afastar do bolsonarismo diante da associação com medidas externas prejudiciais ao interesse nacional.