Com medo das urnas de 2026? Deputados do Piauí votam a favor do fim da escala 6x1

Câmara aprova PEC que acaba com escala 6x1; bancada do Piauí vota em peso a favor da redução da jornada

A Câmara dos Deputados aprovou nesta semana, com ampla maioria, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da tradicional escala de trabalho 6x1 no Brasil. O texto agora segue para análise do Senado Federal e já é considerado uma das votações de maior apelo popular desta legislatura.

A proposta foi aprovada em dois turnos. No primeiro, recebeu 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários. Já no segundo turno, o placar foi de 461 votos a favor e 19 contra. A maior parte dos votos contrários veio de parlamentares ligados ao PL.

Fato curioso ocorreu com a bancada federal do Piauí. Os 10 deputados piauienses votaram favoravelmente à redução da jornada de trabalho. No entanto, no segundo turno, os deputados Júlio Arcoverde e Júlio César não registraram voto.

A votação dos piauienses foi interpretada como reflexo direto da pressão popular em torno do tema. A discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhou enorme repercussão nas redes sociais, entre trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais, tornando-se uma pauta de forte impacto eleitoral para 2026.

Deputados tradicionalmente alinhados ao centrão e à direita acabaram acompanhando o sentimento popular na votação. O movimento mais observado foi o de parlamentares que, dias antes, haviam apoiado propostas consideradas favoráveis à manutenção ou até ampliação da jornada de trabalho. É o caso dos deputados Átila Lira e Júlio Arcoverde. Ambos haviam assinado anteriormente uma proposta ligada à manutenção da escala 6x1 e à flexibilização das regras trabalhistas. Na votação decisiva da PEC, no entanto, votaram favoravelmente à redução da jornada.

O mesmo comportamento foi observado entre parlamentares como Castro Neto, Jadyel Alencar e Marco Aurélio Sampaio, que em diversas votações recentes estiveram alinhados a pautas defendidas pela direita e pelo centrão, mas desta vez acompanharam a pressão das ruas e o forte clamor popular pelo fim da escala considerada desgastante para milhões de trabalhadores brasileiros.

Com a aprovação na Câmara, a PEC agora será analisada pelo Senado. Caso também seja aprovada pelos senadores, a mudança representará uma das maiores alterações nas relações trabalhistas brasileiras nas últimas décadas.