O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), informou a aliados que pretende renunciar ao cargo na próxima segunda-feira (23), um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde pode sofrer cassação.
A estratégia tem como objetivo viabilizar a realização de uma eleição indireta para o chamado mandato-tampão, válido até o fim deste ano. Caso o TSE casse o mandato, a tendência seria a convocação de eleições diretas, o que reduziria a influência política de Castro na escolha de seu sucessor.
Estratégia para evitar cassação e manter influência política
A renúncia também é vista como uma tentativa de esvaziar o julgamento no TSE, que atualmente apresenta placar de 2 a 0 pela cassação e inelegibilidade do governador. Nos bastidores, Castro busca adiar a definição sobre sua inelegibilidade, com o objetivo de manter viável uma possível candidatura ao Senado.
A decisão foi tomada após intensas reuniões realizadas na quinta-feira (19), no Palácio Laranjeiras, com importantes aliados políticos, incluindo lideranças partidárias e parlamentares.
STF muda regras e impacta eleição indireta no RJ
O cenário político do Rio de Janeiro sofreu mudanças após decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar alterando regras para a eleição indireta em caso de vacância dupla no governo estadual.
Entre as principais mudanças estão:
- Exigência de seis meses de desincompatibilização para candidatos com cargos no Executivo
- Adoção de voto secreto na eleição indireta
A decisão afeta diretamente possíveis candidatos ao mandato-tampão, impedindo a participação de nomes que vinham articulando apoio político nos bastidores.
Disputa interna e cenário na Alerj
A eleição indireta ganhou força após articulações políticas envolvendo o governo estadual e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No entanto, mudanças recentes e investigações envolvendo lideranças políticas alteraram os planos iniciais.
Agora, aliados de Castro concentram esforços na disputa pelo comando da Alerj, considerada estratégica para definir o futuro político do estado. A eleição interna pode servir como termômetro para a escolha de um nome alinhado ao governo para assumir o mandato-tampão.
Oposição observa cenário e avalia oportunidades
Enquanto isso, a oposição, liderada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), acompanha de perto a instabilidade política. Apesar de avaliar o cenário como favorável, ainda não há uma estratégia totalmente definida para a disputa.
Nos bastidores, há especulações sobre possíveis candidatos que possam unir diferentes grupos políticos e ampliar as chances na eleição indireta.
Entenda o caso da “folha secreta” que motivou o julgamento
O processo no TSE tem origem no escândalo conhecido como “folha secreta de pagamento”, revelado em 2022. A investigação aponta o uso de instituições públicas para pagamento de funcionários de projetos sociais sem transparência, incluindo repasses em dinheiro vivo.
Segundo apurações do Ministério Público, cerca de R$ 248 milhões foram sacados em espécie por milhares de pessoas, levantando suspeitas de irregularidades. As contratações foram suspensas após ação judicial.
Cláudio Castro nega qualquer irregularidade e afirma que interrompeu os projetos assim que surgiram indícios de problemas.