O senador Ciro Nogueira escreveu hoje no X (antigo Twitter):
"Empresas têm prejuízos, empregos estão em risco, mas nada disso importa para o Lula. Entre ajudar a economia ligando para o Trump ou tentar subir 2 pontinhos nas pesquisas, o governo prefere a segunda opção. O 'Brasil Soberano' de Lula é refém da propaganda."
Pois bem. Vamos aos fatos.
Na postagem, Ciro finge desconhecer o óbvio: quem colocou o Brasil nessa enrascada foi Jair Bolsonaro, seu “pai político” e ídolo incontestável. Foi Bolsonaro quem iniciou o desastre econômico, quem implodiu a relação com os Estados Unidos e quem deixou o país vulnerável ao tarifaço de Donald Trump. E, como se não bastasse, é o próprio filho de Bolsonaro, Eduardo, que — direto dos EUA, com a complacência do pai — conspira diariamente contra os interesses do Brasil, tentando salvar apenas a pele da família.
Ciro posa de nacionalista, mas na prática age como ventríloquo do bolsonarismo. O mesmo Ciro que ocupou a Casa Civil de Bolsonaro, que blindou escândalos, que esteve na linha de frente de um governo que destruiu a credibilidade internacional do Brasil, agora tenta jogar a conta no colo de Lula.
E aqui está a cereja do bolo: enquanto bajula Bolsonaro em público, Ciro articula nos bastidores a candidatura de Tarcísio de Freitas, numa clara traição ao próprio bolsonarismo. Mas convenhamos: traição nunca foi problema para ele. Ao contrário, é uma marca registrada da sua carreira política. Ciro já foi aliado fiel de todos os governos que passaram pelo Planalto — do PT ao PSDB, de Dilma a Temer, de Bolsonaro a quem mais lhe convier. A coerência de Ciro é simples: manter-se sempre colado ao poder, custe o que custar.
A quem Ciro pensa que engana? O discurso dele é a caricatura da hipocrisia. Enquanto posa de defensor dos empregos, defende justamente o grupo político que colocou empresas em risco, afastou investimentos e tentou transformar o país num pária internacional.
O Brasil não esquece: se hoje enfrentamos turbulências, o epicentro do terremoto atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro — e Ciro Nogueira foi cúmplice direto desse desastre, ainda que hoje já prepare a próxima traição.