Lula comparou a chegada de Chico Lucas à Senasp à contratação de Neymar, durante o lançamento do Programa Celular Seguro em São Paulo. Ele destacou resultados do projeto no Piauí, que recuperou milhares de aparelhos e reduziu roubos de celulares.
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O que aconteceu
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma comparação inusitada nesta terça-feira (23), ao afirmar que a nomeação de Chico Lucas para a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) equivale à contratação de Neymar por um clube de futebol. A declaração foi dada durante o lançamento de uma nova etapa do Programa Nacional Celular Seguro, realizado em São Paulo.
Durante o evento, Lula ressaltou a atuação de Chico Lucas no desenvolvimento do programa no Piauí, onde a iniciativa já vinha sendo implementada com resultados expressivos. O presidente afirmou que o gestor “inventou” o modelo no estado e destacou que ele teria sido “contratado a peso de ouro” pelo governo federal, em tom bem-humorado.
Lula também brincou com a expectativa de que os resultados obtidos no Piauí possam ser replicados em nível nacional. Ele afirmou que o sucesso da medida seria comparável a “marcar um gol” e disse, de forma descontraída, que, caso não haja resultados, Chico Lucas poderia ser “vendido baratinho”, reforçando o tom informal da fala.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), o programa “Meu Celular de Volta” conseguiu recuperar mais de 16 mil aparelhos entre 2023 e o primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, o estado registrou uma redução de 80% nas ocorrências de roubo de celulares entre 2022 e 2025, indicando forte impacto da iniciativa na segurança pública local.
O programa nacional
A nova fase do Programa Celular Seguro é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Senasp. O objetivo é ampliar o combate ao roubo, furto e à receptação de celulares em todo o país.
Uma das principais ferramentas é o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), que reúne informações sobre aparelhos roubados, furtados ou extraviados. O sistema integra dados do próprio Programa Celular Seguro, boletins de ocorrência das Polícias Civis, operadoras de telefonia, sistemas nacionais de segurança e bases da Anatel e da ABR Telecom.
O banco será conectado aos 26 estados e ao Distrito Federal e já inicia com um volume superior a 2,9 milhões de aparelhos aptos a recuperação.
Combate à receptação
Entre as inovações está o chamado “Modo Recuperação”. Nesse modelo, o celular não é bloqueado imediatamente. Em vez disso, o IMEI permanece ativo e passa a ser monitorado em nível nacional. Caso uma nova linha seja ativada em um aparelho com registro de irregularidade, o sistema identifica o uso e inicia o processo de recuperação.
A integração entre operadoras e bases de dados públicas permitirá que usuários de aparelhos com registro de roubo ou furto sejam notificados, podendo devolver voluntariamente o dispositivo e regularizar sua situação junto às autoridades.
A estratégia busca reduzir a atratividade econômica do mercado ilegal de celulares e prioriza a possibilidade de devolução espontânea por parte do cidadão.
Consulta antes da compra
Outra novidade é a criação de uma ferramenta pública de consulta. Antes de comprar um celular usado, o cidadão poderá verificar se o aparelho possui restrições por meio do aplicativo ou portal do Celular Seguro.
A consulta será feita a partir do número IMEI e apresentará apenas duas respostas possíveis: “Sem Restrição” ou “Com Restrição”, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Cooperação federativa
A execução da recuperação dos aparelhos ficará sob responsabilidade das Polícias Civis dos estados, em um modelo de cooperação entre União e unidades federativas dentro do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Segundo o governo, a tecnologia já utilizada em estados como Piauí, Amazonas, Bahia e Ceará serviu de base para a expansão nacional, com resultados positivos na recuperação de celulares e na redução de crimes relacionados ao furto e roubo desses dispositivos.