Devido à chacina ocorrida no Rio de Janeiro, o programa PensarSegurança realizou uma edição extraordinária. O jornalista Oscar de Barros, apresentador da série, e o antropólogo Arnaldo Eugênio, doutor em Antropologia, debateram os desdobramentos da operação policial.
Ao longo da discussão, ambos destacaram que a ofensiva realizada pelo Estado teve como alvo central o Comando Vermelho, enquanto milícias e o Terceiro Comando Puro permaneceram praticamente intocados. Essa seletividade, apontaram, levanta uma questão estratégica: estaria em curso uma "limpeza de território" para facilitar a entrada de outras facções criminosas nas áreas controladas atualmente pelo CV?
O debate também abordou a expansão do bolsonarismo. Segundo a análise apresentada, o que inicialmente se configurava como uma rede vinculada a grupos milicianos no Rio de Janeiro evoluiu para uma articulação com setores da extrema-direita internacional, sustentada pela retórica da “guerra ao terror” e pela tentativa de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas — uma narrativa considerada politicamente interessada.
Por fim, Oscar e Arnaldo defenderam a proposta do Governo Federal de implementação do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), de caráter integrado, que reúne forças municipais, estaduais e federais. Para eles, apenas uma política coordenada e de abrangência nacional poderá enfrentar a criminalidade de forma estruturada e eficaz.