Celso Sabino decide ficar no governo Lula e bolsonaristas reagem: “Imoral!”

Celso Sabino ignora decisão do União Brasil, cita COP30 e permanência por “bem do Pará”; decisão gera críticas de líderes bolsonaristas como Caiado.

O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), confirmou nesta quarta-feira (8) que continuará à frente da pasta no governo Lula (PT), mesmo após a direção nacional de seu partido determinar sua saída. A declaração foi feita na chegada à reunião da executiva do União Brasil, que debate punições a filiados que permanecem em cargos na gestão federal petista.

Sabino justificou sua decisão com o argumento de que sua presença no ministério é essencial para a organização da COP30, que será realizada no Pará, seu estado de origem. "Estamos a 30 dias da COP30, a maior reunião diplomática do mundo. Não é oportuno haver uma interrupção no trabalho. Vou permanecer pelo bem do povo do Pará, pela COP30", disse o ministro à imprensa.

Ele também declarou que acredita que o governo atual representa "o melhor projeto para o país" e que planeja disputar as eleições de 2026, quando deixará o cargo para cumprir a regra de desincompatibilização e retornar ao Legislativo.

A decisão de Sabino gerou forte reação interna no União Brasil. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um dos principais nomes do partido e pré-candidato à Presidência, criticou duramente o ministro. “Se ele quiser continuar no governo, é uma imoralidade ímpar. Soldado do Lula e soldado do União Brasil? Como é isso? É uma condição que não pode ser admitida”, declarou.

Caiado ainda ironizou: “Ou é carne, ou é peixe, não dá para ser as duas coisas”, afirmando estar perplexo com a permanência de Sabino em um governo que, segundo ele, contraria frontalmente as diretrizes da legenda.

Durante a reunião desta quarta-feira, a cúpula partidária avaliou três medidas principais: a intervenção no diretório estadual do Pará, o afastamento de Sabino das atividades internas do partido e a abertura de um processo de expulsão, que será analisado pelo Conselho de Ética no prazo de até 60 dias.

O caso de Sabino se soma a episódios semelhantes envolvendo outros partidos aliados. O PP, por exemplo, afastou recentemente o ministro do Esporte, André Fufuca, das funções partidárias por sua permanência no governo Lula. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, reiterou que a sigla “não faz e não fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”.