CBF mantém estaduais e enfrenta desafios no calendário

Julio Avellar destaca importância dos estaduais e obstáculos para adaptar calendário ao europeu na Rio Innovation Week.

Durante sua participação na Rio Innovation Week, Julio Avellar, diretor de competições da CBF, reafirmou que a entidade não planeja o fim dos campeonatos estaduais, mesmo com os desafios impostos por um calendário apertado, em comparação ao modelo europeu. Na quinta-feira (6), Avellar destacou a relevância dos torneios estaduais para o futebol brasileiro, enquanto reconheceu as complexidades de um possível ajuste para um modelo que contemplasse toda a temporada.

A importância dos Campeonatos Estaduais

Avellar argumentou que os campeonatos estaduais são cruciais para o futebol no Brasil, apelidando-os de 'países' dentro de nossos 27 estados, cada um com suas particularidades e contribuições únicas ao esporte. Ele comentou que a recente redução de datas para os clubes de elite teve como objetivo equilibrar o calendário entre as diferentes divisões do futebol nacional.

Aumentar as oportunidades para as divisões inferiores, através das séries C e D, é uma das diretrizes da CBF. Avellar apontou que, desde a reforma do calendário, aumentaram-se as partidas no interior, ampliando em 32 as vagas na Série D, um movimento que fomenta empregos e oportunidades no futebol.

Distribuição ao longo do ano: viável, mas complexa

A possibilidade de estender os estaduais de janeiro a dezembro foi considerada, mas o diretor destacou que a prática, embora viável matematicamente, poderia comprometer a saúde financeira dos clubes de menor investimento. "Antes da reforma, apenas 14% dos clubes tinham um calendário nacional", enfatizou Avellar, destacando que agora há 112 vagas adicionais, com apoio logístico e financeiro.

Reforma do calendário e suas consequências

A CBF tem promovido mudanças significativas no calendário, buscando uma maior inclusão de jogos para clubes menores, enquanto diminui partidas para as equipes da Série A. Essa reformulação foi descrita por Avellar como um "exercício enorme", que atende ao fair play financeiro e respeita datas FIFA, ajustando a carga de jogos de forma mais justa.

Esse tipo de adaptação é vista como essencial pela CBF, especialmente quando levada em consideração a expansão das competições internacionais, que tem exigido calendários ainda mais rigorosos e apertados.

Desafios e visão para o futuro

No âmbito das competições de base, a CBF tem ampliado torneios como a Copa do Brasil sub-20 e introduzido campeonatos nacionais na categoria sub-15. Tais medidas são vistas como um passo fundamental para o desenvolvimento de jovens atletas.

No futebol feminino, a ampliação das séries A1 e A2 e programas de incentivo como o "CBF Transforma" têm promovido maior participação e visibilidade. Avellar também apontou para a necessidade de profissionalização contínua da arbitragem e dos clubes, buscando excelência tanto em campo quanto na gestão administrativa.

O diretor ressaltou a importância do constante diálogo com organizações como a Conmebol e a FIFA, pavimentando um caminho de cooperação que visa otimizar a estrutura do futebol nacional frente aos desafios globais.