O caso de Elize Matsunaga voltou com força ao topo do debate público devido à estreia do filme ficcional da Netflix, "Elize: Sombras de Uma Mulher", lançado em 22 de julho de 2026. Estrelada pela atriz Lorena Comparato, a produção adota um formato de suspense psicológico focado na deterioração do casamento e nas complexidades da mente de Elize, despertando grande curiosidade e debates nas redes sociais sobre o crime ocorrido em 2012.
Abaixo, os fatos reais que moldaram a tragédia:
O Encontro e o Casamento
- Como se conheceram: Natural de Chopinzinho (PR), Elize se mudou para São Paulo e trabalhava como garota de programa. Foi por meio de um site de relacionamentos focado nesse segmento que ela conheceu o empresário Marcos Kitano Matsunaga, herdeiro do grupo alimentício Yoki.
- Casamento: Marcos era casado quando conheceu Elize. Ele se divorciou para assumir a relação. Eles se casaram oficialmente em 2009. Juntos, levavam uma vida de alto padrão e luxo em um apartamento de cobertura em São Paulo, compartilhando também hobbies exóticos, como a criação de cobras e coleções de armas de fogo.
Os Ciúmes e as Brigas
- Crise e desconfiança: O relacionamento passou a ruir após o nascimento da filha do casal. Elize começou a suspeitar de traições por parte de Marcos.
- O detetive: Para confirmar suas suspeitas, Elize contratou um detetive particular. O profissional flagrou Marcos jantando e entrando em um hotel com outra mulher, que também trabalhava como acompanhante.
- Ameaças: Diante da descoberta, as brigas se intensificaram. Elize relatou que Marcos ameaçava interná-la em um hospital psiquiátrico para ficar com a guarda definitiva da filha.
O Crime e a Descoberta da Polícia
- O assassinato: Em 19 de maio de 2012, após Marcos retornar de uma viagem e receber as imagens do detetive, o casal teve uma forte discussão durante o jantar. Elize atirou na cabeça de Marcos à queima-roupa com uma pistola de calibre .384.
- O esquartejamento: Após o disparo, ela arrastou o corpo para um quarto de hóspedes. Elize, que tinha formação técnica em enfermagem, esquartejou o cadáver do marido em sete partes para conseguir transportá-lo.
- O descarte: Ela colocou os pedaços do corpo em três malas de viagem e, no dia seguinte, desceu pelo elevador do prédio com a filha e a babá, fingindo que faria uma viagem. Elize dirigiu até Cotia, na Grande São Paulo, e jogou as partes do corpo na beira de uma estrada vicinal.
- A investigação: A polícia encontrou as partes do corpo dias depois. A identificação foi facilitada porque os órgãos internos estavam preservados devido às baixas temperaturas daquela semana. Os investigadores rastrearam o celular de Marcos e as câmeras do edifício do casal, flagrando o momento em que Elize saía de casa carregando as malas pesadas e retornando sem elas.
Prisão e Cumprimento da Pena
- A prisão: Elize confessou o crime após ser confrontada pelas provas apresentadas pela Polícia Civil de São Paulo. Ela foi presa preventivamente em junho de 2012.
- O julgamento: Em dezembro de 2016, após um júri popular de sete dias, ela foi condenada inicialmente a 19 anos, 11 meses e 1 dia de prisão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a pena para 16 anos e 3 meses.
- Prisão em Tremembé: Elize cumpriu grande parte da pena na Penitenciária Feminina de Tremembé, conhecida por abrigar presas de casos célebres. Lá dentro, teve bom comportamento e chegou a se relacionar amorosamente com a detenta "Sandrão".
- Liberdade condicional: Em maio de 2022, após cumprir 10 anos em regime fechado, Elize obteve a liberdade condicional da Justiça.
Como estão os envolvidos hoje em dia (2026)
- Elize Matsunaga: Atualmente com 44 anos, Elize utiliza o sobrenome de solteira, Giacomini. Fixou residência em Franca, no interior de São Paulo. Ela tentou trabalhar como motorista de aplicativo, mas a forte repercussão pública de sua identidade a fez mudar de ramo; hoje trabalha costurando e confeccionando roupas para pets. Juridicamente, ela foi excluída da herança milionária de Marcos por indignidade.
- A filha (Helena): Hoje uma adolescente de 16 anos. Ela cresceu completamente afastada da mãe e totalmente protegida dos holofotes da mídia. Recentemente, a Justiça deu autorização para que ela fizesse viagens de férias ao exterior (para Londres e Punta Cana) acompanhada da família paterna. Elize declarou publicamente que a filha é a única pessoa para quem ela contaria todos os detalhes reais do crime, se um dia tiver o seu perdão.
- Os Pais de Marcos (Mitsuo e Misako Matsunaga): Os avós paternos detêm a guarda definitiva da jovem desde que ela era uma bebê. No início, eles chegaram a solicitar um exame de DNA para comprovar o vínculo biológico com a menina devido ao passado da mãe. O avô, Mitsuo Matsunaga, declarou recentemente que não irá proibir ou impedir um encontro entre Helena e Elize, mas impôs a condição de que isso só aconteça quando a jovem completar 18 anos, se for do desejo estrito da própria filha.
- Apartamento onde aconteceu o crime: A cobertura triplex na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, onde Elize Matsunaga matou o marido, Marcos Matsunaga, em maio de 2012, está anunciada por R$ 2,8 milhões. O imóvel ocupa quatro pavimentos e reúne piscina privativa, sauna seca com sala de descanso, adega climatizada, cinco suítes, quatro vagas de garagem, dois depósitos e vista panorâmica da capital. O imóvel resulta da junção de duas unidades e tinha cerca de 370 metros quadrados quando o casal morava no local. Entre os ambientes, havia salas de estar e jantar, escritório, varandas, churrasqueira e um quarto do pânico oculto atrás de um armário, com portas blindadas, climatização independente e telefone exclusivo. Um dos quartos também abrigava Gigi, a jiboia criada pelo casal.