Carla Zambelli é agredida em prisão na Itália e transferida de cela por segurança
O QUE ACONTECEU
Presa em Roma enquanto aguarda o julgamento de seu pedido de extradição, a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi transferida de cela após sofrer agressões físicas. Segundo seu advogado, Fábio Pagnozzi, a ex-parlamentar foi atacada por outras detentas em ao menos três ocasiões entre agosto e setembro de 2025. Por segurança, a direção do presídio atendeu ao pedido da defesa e a removeu do andar térreo para o primeiro andar.
Cassação e situação jurídica
Zambelli teve seu mandato oficialmente cassado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 11 de dezembro de 2025. A condenação, proferida pela Primeira Turma, estabeleceu uma pena de dez anos de prisão por sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) junto ao hacker Walter Delgatti Neto.
A ex-parlamentar fugiu do Brasil em maio, sem notificar a Câmara, e chegou a anunciar sua fuga enquanto estava nos Estados Unidos. A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que acionou a Interpol após a parlamentar ignorar as decisões judiciais. Antes da cassação definitiva, Zambelli obteve uma licença de 120 dias articulada pelo PL e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, o que adiou a análise da sentença pelo plenário.
Dívidas e irregularidades na Câmara
Além da situação criminal, Zambelli enfrenta pendências administrativas na Câmara dos Deputados que podem resultar em multas superiores a R$ 7 mil. O processo refere-se ao atraso na devolução do apartamento funcional em Brasília, que deveria ter sido entregue em 4 de julho.
Mesmo foragida, o imóvel permaneceu ocupado por sua mãe e seu filho até 15 de julho, quando as chaves foram finalmente entregues pela defesa. Pelo descumprimento do prazo, a ex-deputada está sujeita a:
- Multa: R$ 4.253,00 (equivalente ao auxílio-moradia).
- Indenização diária: R$ 283,53 por dia de ocupação irregular.
A defesa tentou abater os valores alegando benfeitorias realizadas no imóvel, mas a Câmara rejeitou o argumento, afirmando que o regimento interno não permite tal isenção. Como os vencimentos de Zambelli já estão bloqueados pelo STF, a quitação dessas multas ainda segue em análise pela Casa.