O Instituto Butantan firmou parceria com a farmacêutica MSD para produzir no Brasil o pembrolizumabe, medicamento avançado contra o câncer já utilizado no SUS. A iniciativa deve ampliar o acesso, reduzir custos e garantir maior segurança no fornecimento, com transferência gradual de tecnologia.
O que aconteceu
O Instituto Butantan e a MSD anunciaram um acordo para a produção nacional do pembrolizumabe, terapia que estimula o sistema imunológico a combater células cancerígenas. O medicamento, menos tóxico que a quimioterapia tradicional, já é utilizado no SUS, especialmente em casos de melanoma metastático.
Atualmente, cerca de 1,7 mil pacientes por ano recebem o tratamento, com custo aproximado de R$ 400 milhões ao Ministério da Saúde. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS avalia ampliar o uso para cânceres de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão, o que pode elevar a demanda para 13 mil pacientes anuais.
Um dos principais benefícios da parceria é a transferência gradual de tecnologia, permitindo que o Butantan assuma a produção completa do medicamento no futuro. O processo será feito em etapas, começando por rotulagem e envase, passando pela formulação e chegando à produção total, incluindo o insumo farmacêutico ativo, em até dez anos.
Além da redução de custos, a produção nacional deve garantir maior segurança no abastecimento, evitando riscos de interrupções externas. A iniciativa integra uma estratégia do governo federal para nacionalizar até 70% dos insumos de saúde do SUS em uma década.
O acordo foi anunciado em evento internacional no Rio de Janeiro, destacando a importância da cooperação global para o avanço tecnológico, econômico e social na área da saúde.