Fórum - A Polícia Federal (PF) elaborou um estudo sobre a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e concluiu que ele teria condições de deixar o condomínio sem ser percebido pela vigilância externa. O levantamento, baseado em imagens aéreas feitas por drones e croquis produzidos a partir desse material, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, segundo a coluna de Mônica Bergamo.
Segundo os documentos, a casa de Bolsonaro é cercada por dois vizinhos laterais e três nos fundos. Os policiais que fazem a vigilância externa afirmam que seria fácil perceber uma tentativa de fuga pelos muros laterais. No entanto, se o ex-presidente optasse por saltar os muros dos fundos, que dão para o jardim, sairia do campo de visão da equipe de segurança.
Nessa hipótese, Bolsonaro poderia entrar em uma das casas vizinhas, embarcar em um carro e deixar o condomínio sem ser identificado, já que os veículos não passam por revista na portaria. A tornozeleira eletrônica, segundo a PF, não impediria a manobra: a embaixada dos Estados Unidos, para onde ele poderia se dirigir em busca de asilo, fica a apenas dez minutos do local.
Base para pedido
A análise serviu de base para o pedido do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que apura a participação de Bolsonaro em uma trama golpista. No ofício encaminhado na terça-feira (26), Rodrigues defendeu que policiais permaneçam dentro da casa do ex-presidente em regime de 24 horas por dia, como forma de evitar qualquer tentativa de fuga às vésperas do julgamento.
PGR negou
A Procuradoria-Geral da República (PGR), contudo, manifestou-se contra a medida. Em parecer enviado ao STF nesta sexta-feira (29), o procurador-geral Paulo Gonet reconheceu que há risco de fuga, mas avaliou que a prisão domiciliar e a vigilância externa já são suficientes para conter Bolsonaro. “Observo que não se aponta situação crítica de segurança no interior da casa”, afirmou.
O pedido de reforço da PF foi apresentado após o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), informar em ofício ao órgão que havia recebido relatos sobre um suposto plano de fuga do ex-presidente.