Bolsonaro é citado em 74 arquivos do caso Epstein

Documentos do DOJ mencionam o nome do ex-presidente sem indicar provas

O DOJ dos EUA divulgou, em 30 de janeiro de 2026, novos arquivos do caso Jeffrey Epstein. Um levantamento apontou menções ao nome de Jair Bolsonaro em 74 documentos. As referências, segundo a própria repercussão, não indicam provas nem conclusões sobre o ex-presidente.

O que aconteceu

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) tornou públicos, na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, novos arquivos relacionados à investigação sobre o financista Jeffrey Epstein, preso em 2019 sob acusação de tráfico sexual. O material integra um amplo acervo reunido ao longo das apurações sobre a rede de contatos e atividades do investigado.

A partir desses documentos, um levantamento divulgado no domingo, 1º de fevereiro de 2026, indicou que o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece em 74 arquivos liberados pelo DOJ. A informação foi repercutida pela RT Brasil, que destacou que as menções não constituem provas nem estabelecem conclusões a respeito do ex-mandatário.

Segundo a própria reportagem, o levantamento não contabilizou o número total de vezes em que o nome é citado, mas apenas a quantidade de arquivos em que ele aparece. O texto também ressalta que parte dos documentos pode estar duplicada, o que é comum em investigações com grande volume de registros.

A presença do nome de Bolsonaro nesses arquivos, conforme descrito, não equivale automaticamente a evidência de envolvimento em qualquer ilícito. Em investigações extensas, é frequente que nomes de figuras públicas surjam em anotações, listas, comunicações ou referências indiretas, muitas vezes registradas por terceiros, sem que isso represente comprovação de fatos.

A reportagem repercutida enfatiza que as menções não produzem conclusões contra o ex-presidente. Ainda assim, a divulgação desse tipo de material costuma gerar disputas de narrativa, com recortes utilizados politicamente para sugerir vínculos que os próprios documentos, ao menos no que foi apresentado, não demonstram.

Entre os registros citados, há a referência a uma mensagem atribuída a Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, supostamente enviada a Epstein em 2018. No trecho reproduzido, consta a frase: “Precisamos manter a questão do Jair nos bastidores”. O material divulgado não esclarece o contexto da comunicação, o significado da expressão “questão do Jair” nem se houve qualquer desdobramento investigativo relacionado a esse trecho. A reportagem também não afirma que a mensagem seja prova de irregularidade, limitando-se a indicar que a referência aparece nos arquivos.

Outro ponto mencionado é a sigla “MBGA”, apresentada como abreviação de “Faça o Brasil Grande de Novo”, em alusão ao slogan político “Faça a América Grande de Novo”. A referência indica que os documentos incluem termos e expressões associados a slogans e códigos políticos, sem detalhar em que circunstâncias a sigla aparece, quem a utiliza ou com qual finalidade.

De acordo com o DOJ, os arquivos divulgados fazem parte de um conjunto superior a 3 milhões de anotações e comunicações reunidas durante a investigação sobre a rede de Epstein. O tamanho do acervo ajuda a explicar por que nomes de figuras conhecidas podem surgir em diferentes tipos de registros, por vezes repetidos, com naturezas variadas, como contatos, menções indiretas ou mensagens pontuais.

Epstein foi preso em 2019 sob acusação de tráfico sexual, e o caso ganhou repercussão global por envolver redes de influência, recursos financeiros e relações sociais com pessoas de grande visibilidade. Nesse contexto, a liberação de documentos costuma provocar novos ciclos de atenção pública sempre que nomes conhecidos aparecem no material.

Com base exclusivamente nas informações apresentadas, o dado central é que, após a divulgação dos arquivos em 30 de janeiro de 2026, um levantamento citado identificou o nome de Jair Bolsonaro em 74 documentos. Ao mesmo tempo, o próprio conteúdo repercutido afirma que essas menções não configuram prova nem estabelecem conclusões sobre o ex-presidente.

Permanece sem esclarecimento, no recorte divulgado, a natureza exata dessas referências — se constam em comunicações, listas de contatos, anotações de terceiros, registros duplicados ou documentos de tipos distintos. Sem esse detalhamento, interpretações que ultrapassem a constatação da existência de menções correm o risco de se transformar em especulação.

A informação foi divulgada pela RT Brasil, que destacou a ausência de provas, a quantidade de arquivos em que o nome aparece e as referências pontuais, como a mensagem atribuída a Steve Bannon e a menção à sigla “MBGA”, associada ao slogan “Faça o Brasil Grande de Novo”.