Bolsonaristas que acompanharam a decisão dos Estados Unidos de impor sanções a integrantes do programa Mais Médicos consideraram que a medida poderia ter sido mais ampla. Para eles, a lista deveria incluir também o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ex-ministro Arthur Chioro e a ex-presidente Dilma Rousseff.
As sanções, anunciadas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, revogaram vistos de dois servidores brasileiros e de autoridades cubanas. A justificativa apresentada pelo governo norte-americano é que o programa envolveu a exploração de trabalho forçado no envio de médicos ao Brasil, entre 2013 e 2018.
Segundo esses apoiadores, Dilma Rousseff deveria ser alvo de punição não apenas por ter comandado o país na criação do Mais Médicos, mas também por sua atual posição como presidente do banco dos Brics. Nesse entendimento, a sanção teria um efeito adicional, atingindo diretamente a instituição internacional.
A avaliação do grupo é que os “peixes grandes” do PT podem ter sido deixados de fora desta primeira etapa para serem incluídos em fases futuras. Essa abordagem estaria alinhada a uma estratégia de sanções graduais, na qual medidas adicionais são aplicadas progressivamente.
O programa Mais Médicos foi lançado em 2013 com o objetivo de ampliar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em áreas carentes. Ele previa a contratação de médicos brasileiros e estrangeiros, incluindo profissionais cubanos enviados por meio de um acordo de cooperação internacional.
O governo brasileiro ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de novas sanções. Até o momento, as medidas anunciadas afetam diretamente Mozart Julio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, diretor da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, que tiveram os vistos americanos revogados.
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