Uma das maiores mobilizações de artistas brasileiros dos últimos anos tomou conta das redes sociais para alertar sobre os riscos das apostas online e dos jogos de azar que se popularizaram no país. Batizada de “Block no Tigrinho”, a campanha é liderada pelo movimento 342 Artes e reúne nomes consagrados da música, do cinema e da televisão em defesa de regras mais rígidas para o setor das chamadas “bets”.
Entre os participantes estão artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Paulinho da Viola, Anitta, Marieta Severo, Alinne Moraes, Emicida e Camila Pitanga, que passaram a divulgar mensagens de conscientização sobre os impactos sociais, financeiros e psicológicos provocados pelo avanço das plataformas de apostas.
A iniciativa busca chamar atenção para problemas cada vez mais frequentes no Brasil, como o endividamento de famílias, o vício em jogos de azar e o agravamento de transtornos relacionados à saúde mental. Nas publicações, os artistas também questionam a crescente normalização da publicidade de apostas em redes sociais, programas de televisão e eventos esportivos.
Com o slogan “De que lado da influência você está?”, a campanha direciona críticas especialmente aos influenciadores digitais que promovem plataformas de apostas para milhões de seguidores. Segundo os organizadores, muitos desses conteúdos ajudam a criar a falsa impressão de que é possível enriquecer rapidamente por meio dos jogos online.
Confira o site: Block no Tigrinho
Denúncia sobre o uso de “contas demo”
Um dos pontos centrais da campanha é a denúncia do uso das chamadas “contas demo”, mecanismos que permitiriam a influenciadores exibir ganhos elevados utilizando dinheiro fictício ou sistemas previamente configurados para aumentar as chances de vitória.
De acordo com os organizadores, essa prática pode induzir seguidores ao erro ao transmitir uma imagem distorcida da realidade das apostas, incentivando pessoas a arriscarem recursos financeiros em busca de lucros que raramente se concretizam.
Artistas contestam discurso de renda extra
Os participantes do movimento também criticam a narrativa frequentemente utilizada por plataformas e influenciadores de que as apostas online poderiam funcionar como fonte de renda ou forma de investimento.
Para a campanha, os jogos são estruturados para estimular a repetição constante das apostas, aumentando os riscos de perdas financeiras e comprometendo o orçamento de famílias inteiras. Os artistas defendem ainda que celebridades e criadores de conteúdo sejam responsabilizados pelos impactos causados pela promoção desses serviços.
Congresso e governos ampliam restrições às bets
A mobilização ocorre em um momento de endurecimento das regras para a publicidade de apostas no Brasil. Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 3915/23 propõe proibir artistas, atletas e influenciadores digitais de realizarem propaganda de cassinos online e jogos de azar.
Estados também começam a adotar medidas mais rígidas. No Maranhão, por exemplo, já existem restrições específicas para a divulgação desse tipo de atividade, com previsão de multas que podem chegar a R$ 1 milhão.
O governo federal igualmente reforçou as normas para campanhas publicitárias do setor, proibindo mensagens que associem apostas à melhoria da condição financeira ou incentivem comportamentos de jogo excessivo.
Influenciadores na mira de investigações policiais
Paralelamente ao debate público, operações policiais em diferentes estados têm investigado influenciadores suspeitos de promover plataformas ilegais de apostas online. Algumas apurações envolvem suspeitas de propaganda enganosa, contravenção penal e divulgação irregular do popularmente conhecido “Jogo do Tigrinho”.
Para os organizadores do “Block no Tigrinho”, a campanha representa um esforço coletivo para ampliar a discussão sobre os efeitos das apostas online na sociedade brasileira. O objetivo é mobilizar a população, proteger grupos vulneráveis e pressionar autoridades por regras mais rigorosas de fiscalização, transparência e responsabilização no setor das bets.