‘Batedor de carteira’: Eduardo Bolsonaro responde a Valdemar Costa Neto

A crise interna no PL surge em meio à fragilidade da família Bolsonaro, após a condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu de forma contundente às declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou que ele “não tem votos e não respeita o pai”. Em resposta pública, Eduardo declarou que “não abdiquei de tudo para trocar afagos mentirosos com víboras” e acusou o dirigente de tentar entregar a direita “às mãos sujas do aproveitador da ocasião”.

O embate teve início após Valdemar criticar a postura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro no debate sobre a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Enquanto o presidente do PL busca costurar, junto ao Centrão, uma proposta que reduza as penas, Eduardo defende uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, mobilizando a ala mais radical do bolsonarismo.

Na troca de farpas, Valdemar afirmou ainda que muitos parlamentares que apoiaram a PEC da Blindagem e a urgência da anistia “não entenderam o que estavam fazendo”, em crítica indireta ao deputado. Eduardo, por sua vez, disse que sua prioridade é “resgatar a direita” e rejeitou o que chamou de “esquemas políticos internos” conduzidos por “batedores de carteira”.

A crise interna no PL surge em meio à fragilidade da família Bolsonaro, após a condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Valdemar aposta na manutenção de sua influência por meio de negociações no Congresso, enquanto Eduardo investe na preservação da base ideológica do bolsonarismo.

Nos bastidores, aliados avaliam que a disputa pode ter impacto direto nas eleições municipais de 2026, especialmente em São Paulo, onde Eduardo pretende ampliar sua projeção política. A tensão divide o partido entre pragmáticos alinhados a Valdemar e militantes fiéis ao deputado.

O episódio expõe a escalada do confronto entre Eduardo Bolsonaro e o presidente do PL, evidenciando o dilema da legenda entre preservar espaço político institucional e manter a identidade ideológica que sustenta o bolsonarismo.