Barraca, Bíblia e chilique: tentativa de novo acampamento bolsonarista desaba na madrugada

Deputados bolsonaristas tentam reeditar acampamento golpista e são desmobilizados na madrugada por ordem de Moraes

A tentativa de reeditar os acampamentos golpistas protagonizada pelos deputados bolsonaristas Hélio Lopes (PL-RJ) e Coronel Chrisóstomo (PL-AM) em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, durou apenas algumas horas. Na madrugada deste sábado (26), a Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada para desmontar as barracas e dispersar o grupo, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

A ordem do ministro foi clara: caberia ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), garantir a imediata remoção do acampamento e proibir qualquer nova tentativa de instalação de estruturas na Praça dos Três Poderes. Por volta da 1h30, os dois parlamentares foram comunicados da decisão e deixaram o local sob vigilância policial.

A movimentação teve início na sexta-feira (25), por volta das 16h30, quando Hélio Lopes, conhecido pelas alcunhas de “Hélio Bolsonaro” e “Hélio Negão”, montou uma barraca em frente ao Supremo, com um esparadrapo na boca e uma carta nas redes sociais anunciando “jejum de palavras” contra o que chamou de “suprema humilhação”. A expressão remete às críticas de Jair Bolsonaro às medidas cautelares impostas pelo STF, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Logo após a instalação da barraca, Lopes foi advertido pela PM, que o intimou com base na proibição de acampamentos nos arredores dos Três Poderes. Como reação, o deputado divulgou um “ofício público” ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), insistindo no caráter pacífico e simbólico de sua ação. “Tenho apenas o essencial: uma barraca para repousar, a Bíblia para sustentar minha fé, e a Constituição para firmar minha consciência”, escreveu.

O deputado Coronel Chrisóstomo, figura conhecida por defender abertamente a volta do regime militar de 1964, se juntou à encenação ao anoitecer, com um discurso em defesa da “liberdade de expressão” e contra o que chamou de censura no país. O gesto ganhou apoio do também bolsonarista Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL e aliado do pastor Silas Malafaia, que anunciou nas redes sociais que viajaria a Brasília para acompanhar a manifestação.

Entretanto, antes que a presença de apoiadores pudesse crescer, Moraes agiu rapidamente e determinou a retirada imediata do acampamento. Com a desmobilização forçada, os deputados recorreram às redes sociais para protestar em tom dramático. “DITADURA! MIL VEZES DITADURA”, escreveu Hélio Lopes em letras maiúsculas. Coronel Chrisóstomo, por sua vez, alegou que ambos foram ameaçados de prisão: “Vivemos em uma ditadura no Brasil”.

A tentativa frustrada reforça o padrão de mobilização performática do bolsonarismo, que busca manter viva a retórica golpista mesmo em contexto de crescente isolamento político e repressão judicial. A cena que deveria simbolizar resistência virou encenação desmontada pela força da lei.