Bandeira de Trump, ausência de Bolsonaro e encenação frustrada: o vexame da bancada bolsonarista na Câmara

O constrangimento ocorreu em meio à frustrada tentativa da bancada bolsonarista de transformar o Congresso Nacional em palco de protesto contra o Supremo Tribunal Federal

O deputado Delegado Caveira (PL-PA) protagonizou um dos momentos mais constrangedores da manhã desta terça-feira (22), ao exibir uma bandeira dos Estados Unidos com a imagem de Donald Trump durante uma coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados. O gesto, visto como vexatório até mesmo por parlamentares aliados, provocou reações imediatas. Alertado por colegas, Caveira recolheu rapidamente o estandarte. O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), responsável por coordenar a coletiva, tentou minimizar o episódio: “Não é o foco aqui hoje.”

O constrangimento ocorreu em meio à frustrada tentativa da bancada bolsonarista de transformar o Congresso Nacional em palco de protesto contra o Supremo Tribunal Federal. A mobilização foi articulada por Jair Bolsonaro (PL), que orientou seus aliados a interromperem o recesso legislativo e retornarem a Brasília. O objetivo era realizar uma sessão extraordinária da Comissão de Segurança Pública para votar moções de apoio ao ex-presidente.

Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue de férias na Europa, 23 deputados bolsonaristas atenderam à convocação. No entanto, a sessão foi cancelada após o presidente da Câmara em exercício, Hugo Motta (Republicanos-PB), proibir reuniões de comissões durante o recesso, que vai até 1º de agosto.

Com o cancelamento, os parlamentares se viram diante de um cenário armado à toa. A bancada havia preparado uma mesa para coletiva com uma placa onde se lia: “Jair Bolsonaro - 38º Presidente do Brasil”. Após o cancelamento, dirigiram-se à sede do PL para se reunir com o ex-presidente.

Nas redes sociais, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, criticou duramente a encenação: “O PL queria transformar a Câmara num palco de provocação e confronto direto com a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Era uma encenação planejada para gerar o momento da prisão — e depois gritar ‘ditadura’. A extrema-direita não fará da Câmara um comitê da desordem.”

Durante a coletiva, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou sentir-se “amordaçado” e classificou como “ilegal” a decisão que suspendeu as sessões. Nos bastidores, o constrangimento foi visível. O deputado General Pazuello (PL-RJ) chegou a alertar os colegas: “Não coloca placa do Bolsonaro, ele já está exposto demais. A placa pode indicar que ele está aqui e ele não vem.”

Bolsonaro, por sua vez, não compareceu à Câmara. Recluso, passou os últimos dias articulando com aliados como Ciro Nogueira (PP), Silas Malafaia e Sóstenes Cavalcante. O plano incluía transformar a Câmara em uma espécie de QG bolsonarista, com ações simbólicas para tentar impor uma agenda de enfrentamento ao STF.

A ofensiva incluiu também uma orientação para que senadores bolsonaristas apresentassem novos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) assumiu o papel de porta-voz da manobra, afirmando: “Decidimos que a pauta do Senado será o impeachment do senhor ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre.”

O deputado federal pelo PT do Piauí, Merlong Solado, disse ser "lamentável ver deputado federal brasileiro erguendo bandeira em apoio ao presidente Trump. E pior ainda é ver isso acontecer dentro da Câmara dos Deputados. São esses deputados que se dizem patriotas? Nunca foram patriotas, são traidores da pátria, não representam o povo brasileiro. Que sejam responsabilizados pelos seus atos."

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