Ato projeta Nikolas como novo nome da direita e aprofunda racha entre os Bolsonaro

Marcha em Brasília expõe racha na direita e sucessão de Bolsonaro

A marcha liderada por Nikolas Ferreira em Brasília, marcada por feridos após descargas elétricas causadas por raios, intensificou a disputa pelo legado político de Jair Bolsonaro. O episódio evidenciou divisões no bolsonarismo, com embates entre aliados, elogios públicos e críticas internas à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O que aconteceu

A marcha organizada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) terminou em um ato em Brasília que deixou 89 pessoas feridas por descargas elétricas provocadas por raios. O episódio ampliou a disputa em torno do espólio eleitoral de Jair Bolsonaro (PL), preso na Papudinha, e expôs fissuras dentro do clã do ex-presidente e entre aliados da direita.

O racha se intensificou diante da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado pelo pai como principal adversário de Lula nas eleições de outubro. Michelle Bolsonaro, que disputa espaço político com o enteado, elogiou publicamente Nikolas nas redes sociais, atribuindo-lhe uma missão divina e lembrando que Jair Bolsonaro o “adotou” politicamente em Minas Gerais.

Em participação no programa Pânico, Nikolas foi apresentado como nova liderança do bolsonarismo pelo apresentador Emílio Surita. O deputado tentou minimizar o rótulo, afirmando ocupar um espaço deixado pelo desânimo de apoiadores, sem reivindicar a liderança da direita.

Em coluna no portal UOL, o jornalista Marco Antônio Sabino afirmou que Nikolas “uniu a direita”, citando manifestações de apoio de políticos como Cláudio Castro, Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas, além de mensagem de Michelle Bolsonaro chamando-o de “nosso líder”.

O ato também gerou críticas internas. Carlos Bolsonaro, que representou o irmão no evento, foi acusado de manipular um vídeo ao inserir áudio de outra manifestação com gritos de “volta Bolsonaro”. A edição foi duramente criticada por aliados, que denunciaram tentativa de distorção.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, em Israel em busca de apoio político, fez apenas um aceno discreto ao ato, ainda enfrentando resistências na direita e dentro da própria família.