Um raio atingiu participantes de um ato liderado por Nikolas Ferreira em Brasília, deixando dezenas de feridos, mesmo assim a manifestação continuou sob chuva. O evento marcou o fim de uma caminhada iniciada em Minas Gerais em apoio a Jair Bolsonaro e contra decisões do STF. A presença de Michelle Bolsonaro e as críticas de juristas reforçaram a repercussão política do episódio.
O QUE ACONTECEU
Mesmo após a queda de um raio atingir dezenas de pessoas e deixar feridos, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) manteve a realização de um ato político em Brasília, neste domingo (25), mesmo sob forte chuva. O incidente ocorreu nas proximidades da Praça do Cruzeiro, local previsto para o encerramento da manifestação. Vídeos divulgados nas redes sociais registraram o momento em que a descarga elétrica atingiu participantes, provocando pânico e correria.
De acordo com informações divulgadas pela PlanNews, ao menos 16 pessoas foram levadas ao Hospital de Base, sendo seis em estado grave, e outras 17 encaminhadas ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Testemunhas relataram choques elétricos, quedas e casos de pessoas desacordadas. Até o momento, não há um balanço oficial consolidado sobre o total de feridos.
Apesar do ocorrido e das condições climáticas adversas, o ato seguiu por um período. O clima, inicialmente de mobilização política, rapidamente se transformou em apreensão, enquanto participantes tentavam socorrer os feridos. O Corpo de Bombeiros confirmou que o raio caiu em meio à concentração de apoiadores.
Durante a manifestação, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou do evento e declarou apoio público ao deputado. Vestindo uma camisa com a bandeira de Israel, ela pediu que os participantes seguissem as orientações de Nikolas, a quem chamou de “nosso líder”, e reforçou o caráter religioso e político do ato.
A manifestação marcou o encerramento da caminhada organizada por Nikolas Ferreira, iniciada no dia 19, em Paracatu (MG). O grupo percorreu cerca de 240 quilômetros até chegar a Brasília, na noite de sábado (24). A concentração final reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e lideranças da oposição.
O principal eixo do ato foi o apoio a Bolsonaro e críticas às condenações relacionadas aos ataques de 8 de janeiro de 2023, além de protestos contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Em declarações à imprensa, Nikolas afirmou que a mobilização teria alcançado seus objetivos ao “despertar” a população para temas que, segundo ele, envolvem escândalos políticos e econômicos.
Nos últimos dias da caminhada, o deputado passou a utilizar colete à prova de balas, alegando ter recebido ameaças. A assessoria informou que a medida foi preventiva, sem divulgar detalhes sobre a origem das mensagens.
A mobilização ganhou força nas redes sociais e contou com a adesão de parlamentares e apoiadores do bolsonarismo. Segundo Nikolas, o gesto buscou pressionar o Judiciário e denunciar o que considera excessos nas decisões do STF. O parlamentar também tem reiterado críticas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na véspera do ato, o Palácio do Planalto instalou grades de proteção ao redor da sede do Executivo. Segundo o Gabinete de Segurança Institucional, a medida visou reforçar a segurança diante da possibilidade de manifestações.
O episódio do raio também gerou repercussão nas redes sociais. O jurista Marcelo Uchôa criticou o que classificou como uso político e religioso de situações de risco pela extrema-direita. Em postagem, afirmou que esse tipo de mobilização expõe pessoas vulneráveis a perigos reais e contribui para a disseminação de desinformação.
Para o advogado, o uso seletivo de símbolos religiosos e interpretações místicas serve para encobrir práticas políticas irresponsáveis, mantendo apoiadores em estado de alienação. Segundo ele, essa dinâmica banaliza situações graves e coloca em risco a integridade dos participantes.