As igrejas cristãs chegaram ao fundo do poço e junto com elas o Estado brasileiro

A espiritualidade como disfarce para um projeto político baseado no crime

Foto: PensarPiauí
Igrejas

 

Por Lusmarina Campos Garcia, teóloga eco-feminista e pastora luterana no Catarina

O escândalo envolvendo Flordelis dos Santos de Souza, cantora, pastora e deputada federal (MDB/RJ), é apenas mais um neste universo vexatório no qual uma parte das igrejas cristãs se lançou. Não podemos dizer que são apenas as igrejas pentecostais e neo-pentecostais que aderiram ao lixo teológico e hermenêutico com aparência de espiritualidade e interioridade fascista; uma porção das igrejas protestantes e católicas também adotou a mediocridade como método e a espiritualidade como disfarce para a adoção de um projeto político baseado no crime.

Não dá para simplesmente apontar o dedo para a “pastora” criminosa quando as igrejas históricas e o próprio Estado nada fizeram para impedir que “igrejas” fossem criadas e “pastores” se auto-proclamassem como tal sem nenhuma regulação, formação e critério de funcionamento.

Regulamentar o funcionamento das instituições religiosas no país não é interferir na liberdade religiosa, é adotar parâmetros dentro dos quais tais organizações devem funcionar a fim de preservar o bem maior que é o Estado Democrático de Direito e os direitos fundamentais de todos os cidadãos e cidadãs.

As igrejas cristãs chegaram ao fundo do poço e junto com elas o Estado brasileiro. Estamos precisando de uma nova Reforma no âmbito do cristianismo no Brasil. Reforma baseada no pensamento crítico, no compromisso com uma sociedade justa e igualitária, numa teologia libertária.