As deepfakes nas eleições

A nova ameaça à integridade e à credibilidade das eleições de 2026

Desde 2020, as fake news vem contaminando as eleições em vários países, inclui o Brasil, compromentendo a lisura do processo eleitoral. Porém, além das notícias falsas – ou as fake news – para deturpar a realidade dos fatos, existe outro desafio para a justiça eleitoral enfrentar: as deepfakes feitas por inteligência artificial (IA).

As deepfakes, a junção de “deep learning”, ou aprendizagem profunda; com “fake”, que significa falso, poderão ser usadas por candidatos e candidatas nas eleições de 2026, como um meio escuso de destruição de reputações, para sabotar o processo eleitoral, causar confusões e interferir no resultado da eleições.

Trata-se de uma tecnologia de IA usada para criar ou alterar fotos, vídeos e  até áudios de forma ultrarrealista. Ela permite colocar o rosto de uma pessoa no corpo de outra ou clonar vozes, fazendo com que um avatar ou identidade digital diga e/ou faça coisas que, de fato, nunca aconteceram.

Para tanto, usa-se a IA para coletar e analisar milhares de imagens e gravações reais de determinadas pessoas. E, a partir desse material, mapeia as expressões, os movimentos labiais e os tons de voz, criando um "modelo digital" ou avatar, que é usado para manipular a mídia original e a opinião pública com extrema fidelidade.

Não se trata de demonizar a IA nem a deepfake, que é uma técnica que usa IA e outros conteúdos verdadeiros, para criar adulterações realistas. A deepfake pode ter um uso artístico e entretenimento, como ocorre na indústria cinematográfica para rejuvenescer atores, recriar cenas com dublês ou trazer pessoas falecidas de volta à tela.

O problema é o uso da deepfake com a intenção deliberada de falsear a realidade dos fatos, através de imagens e vozes de pessoas reais. E, assim, persuadir a opinião pública com mentiras e enganos propositais.

Logo, afim de ludibriar os eleitores medianos e conseguir um mandato político com mentiras, muitos candidatos e candidatas poderão se utilizar das deepfakes para enganar o eleitorado e, assim, se aproveitarem eleitoralmente de forma criminosa. Pois, as deepfakes produzem vídeos reais manipulados, de modo que faça parecer que alguém disse ou fez algo que não disse ou não fez.

Basicamente, para a criação de uma deepfake é necessária uma combinação de técnicas de redes neurais com técnicas de computação. E, nas eleições de 2026, devido à grande quantidade de dados espalhados no ambiente virtual, essa técnica poderá ser utilizada para sintetizar imagens e vídeos de adversários políticos de modo bem realista, com o intuito de arruinar não só as candidaturas, mas, também, denegrir as reputações daqueles.

Mas, nenhuma pessoa estar imune de sofrer uma destruição de reputação através de deepfake, pois, atualmente, existe uma série de ferramentas móveis disponíveis. A maioria das produções são para a satirização, a disseminação de notícias falsas e a aplicação de golpes por criminosos digitais.

Contudo, no campo específico da política, dentre os principais riscos das deepfakes para a lisura das eleições de 2026 está o uso para a desinformação. Os criminosos digitais, à serviço de candidatos e candidatas, poderão criar vídeos falsos de adversários e clonar suas vozes para destruir uma candidatura por meio do WhatsApp ou espalhar fake news.

Todavia, é possível identificar uma deepfake observando os detalhes, como o movimento dos lábios desalinhados, os rostos com borrões nas bordas, os dentes mal desenhados, a falta de reflexos naturais nos olhos e o ambiente ao redor da pessoa deepfakezada por IA.