A Anvisa investiga seis mortes e dezenas de casos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras. Entre 2020 e 2025, foram registradas ao menos 145 notificações suspeitas no Brasil, número que pode chegar a 225 com dados de pesquisas clínicas, indicando aumento preocupante da doença.
O que aconteceu
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está apurando seis mortes por pancreatite e pancreatite aguda possivelmente relacionadas ao uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Desde 2020, o Brasil registra crescimento expressivo de notificações suspeitas da doença associadas a esses produtos.
Dados do VigiMed, sistema da Anvisa para monitoramento de eventos adversos, apontam 145 notificações de suspeita de pancreatite entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Ao incluir informações de pesquisas clínicas, esse total pode chegar a 225 registros. Do conjunto de notificações, 59 mencionam hospitalização ou internação prolongada, e seis evoluíram para óbito.
Segundo a Anvisa, os casos fatais podem estar associados aos medicamentos Saxenda (três registros), Ozempic (dois) e Mounjaro (um). Embora indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, esses medicamentos passaram a ser amplamente utilizados com finalidade de emagrecimento.
O tema também gerou alerta internacional. No início de fevereiro, o Reino Unido emitiu comunicado sobre o aumento de casos de pancreatite relacionados ao uso dessas canetas. De acordo com a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), o país contabiliza 19 mortes, 24 casos de pancreatite necrosante e 1.296 notificações da doença associadas aos medicamentos.
A pancreatite é a inflamação do pâncreas, podendo ser aguda ou crônica. Os sintomas incluem dor abdominal, febre, náusea, vômitos e diarreia, e, em quadros graves, pode levar à morte. Entre as substâncias investigadas pela Anvisa estão semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, presentes nas canetas emagrecedoras.