O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda adiar a próxima etapa da retirada dos subsídios sobre combustíveis após a alta do petróleo provocada pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. A preocupação é evitar impactos imediatos nos preços da gasolina e do diesel e conter pressões inflacionárias.
O que aconteceu
A nova escalada do conflito envolvendo o Irã e as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o fim do cessar-fogo impulsionaram o preço do petróleo Brent, que avançou mais de 5% e voltou a se aproximar de US$ 80 por barril. Diante desse cenário, integrantes da equipe econômica passaram a defender cautela na retirada dos subsídios aos combustíveis.
Na semana passada, o governo encerrou o subsídio de R$ 0,35 por litro do diesel e informou que os benefícios restantes, de R$ 1,12 por litro do diesel e R$ 0,44 por litro da gasolina, seriam eliminados gradualmente conforme a estabilização dos preços internacionais. Embora a retirada do subsídio da gasolina pudesse ocorrer nesta semana, a forte valorização do petróleo alterou a estratégia.
Além do impacto fiscal da manutenção das subvenções, o governo avalia que extingui-las agora poderia pressionar a inflação. Nos bastidores, também considera usar a instabilidade do mercado internacional para justificar um eventual adiamento ao Congresso.
A discussão ganhou peso político após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizar a votação de um projeto que cria mecanismos de compensação para perdas de arrecadação caso o governo não conclua a retirada do subsídio da gasolina. Paralelamente, o Executivo mantém em análise o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, atualmente em 30%, para 32%, medida que deverá ser alinhada ao cronograma de retirada dos subsídios.