Aliado de Ciro Nogueira financia páginas de fofoca que atacam Lula e exaltam Tarcísio

Perfis de fofoca com milhões de seguidores atacam Lula e promovem Tarcísio; páginas podem estar sendo usadas em campanhas pagas

Perfis de fofoca nas redes sociais, que somam milhões de seguidores no Brasil, passaram a atuar de forma intensa no debate político, com publicações que atacam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e exaltam nomes da direita, especialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As informações são do portal ICL Notícias.

Segundo a reportagem, páginas originalmente voltadas para entretenimento e celebridades têm publicado conteúdos políticos com linguagem simples, memes e vídeos virais — estratégia que amplia o alcance e o engajamento, influenciando diretamente a opinião pública nas redes.

Entre os casos citados está o perfil “Alfinetei”, com mais de 25 milhões de seguidores no Instagram, que frequentemente divulga vídeos com críticas ao governo Lula, ao mesmo tempo em que impulsiona conteúdos favoráveis a políticos de direita. Parte dessas publicações aparece vinculada a conteúdos patrocinados por casas de apostas, como a 7games.bet.

O site pertence a Fernando Oliveira de Lima, conhecido como Fernandin OIG. Embora seja frequentemente identificado como piauiense, ele nasceu no Maranhão e se mudou ainda criança para o Piauí, onde foi criado em Teresina. Fernandin mantém relação próxima com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), opositor do governo Lula.

O mesmo padrão se repete em outras páginas, como “Babadeira” e “Fofoquei”, que também passaram a publicar conteúdos políticos com viés semelhante: críticas ao governo federal e exaltação de figuras da direita, incluindo Tarcísio de Freitas e aliados do bolsonarismo.

O ICL também relembra que alguns desses perfis já haviam sido citados em investigações no fim de 2025, após atuarem em campanhas digitais contra o Banco Central e a favor do banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. O caso chegou a ser investigado pela Polícia Federal.

Para analistas de redes, há indícios de uso coordenado dessas páginas em campanhas pagas com objetivos políticos claros. O analista Pedro Barciela afirma que o fenômeno já impacta o debate público e não pode mais ser tratado como algo isolado.

Levantamentos mostram, por exemplo, que publicações desses perfis chegam a gerar mais engajamento do que conteúdos produzidos pelos próprios políticos. Em alguns casos, páginas de fofoca concentraram a maioria das interações envolvendo nomes da direita, evidenciando seu poder de influência.